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Retrato Falado: Catherine Deshayes, a mãe dos venenos

Catherine Deshayes foi figura central em um escândalo que envolveu assassinatos, bebês sacrificados e missas negras em meio à nobreza da França de Luís XIV

Por Bruno Lazaretti Atualizado em 4 jul 2018, 20h20 - Publicado em 29 jan 2016, 12h37

ILUSTRAS: Davi Augusto

Catherine Deshayes (1640-1680) foi figura central em um escândalo que envolveu assassinatos, bebês sacrificados e missas negras em meio à nobreza da França de Luís XIV

1. Catherine Deshayes nasceu em uma família pobre de Paris por volta de 1640. Possivelmente filha de uma feiticeira, a própria Catherine começou a praticar quiromancia, leitura de rosto e astrologia aos 9 anos de idade. Aos 20, casou-se com um joalheiro malsucedido e precisou expandir seu negócio para sustentar a família

2. Foi o preparo de poções afrodisíacas e amuletos para clientes o que lhe valeu um bilhete de entrada para círculos nobres de Paris. Homens a buscavam para aumentar o vigor sexual, e mulheres iam atrás de poções e tratamentos estéticos que “tornavam os seios mais fartos e a boca mais diminuta”, como notou um marquês da época

3. Eventualmente, Deshayes notou que o desejo mais comum entre os clientes era o chamado “pó de herança”, ou seja, veneno. Vendo oportunidade no lado macabro da feitiçaria, a pacata vidente começou a preparar venenos e celebrar rituais satânicos em sua cabana nos arredores da capital. Assim, ganhou o apelido La Voisin ( “a vizinha”, em francês)

4. Sua cliente mais importante foi a marquesa de Montespan, uma das amantes mais temperamentais do rei Luís XIV. O envolvimento da nobre com La Voisin ia muito além de afrodisíacos e missas negras: Montespan usou os venenos da feiticeira contra uma amante rival e possivelmente conspirou com La Voisin para envenenar o próprio rei

5. Entre 1660 e 1680, o número de mortes “naturais” entre membros da nobreza, em especial idosos abastados e mulheres preteridas por amantes, tornou-se alarmante. Após o escândalo alcançar o círculo real, uma comissão investigativa escancarou o submundo da bruxaria em Paris. No “Caso dos Venenos”, Catherine Deshayes acabou presa em 1679

Catherine Deshayes 2

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6. Uma busca na residência de La Voisin revelou não só ingredientes macabros como gordura de homens enforcados, excremento, sangue e sêmen humanos mas também uma fornalha com restos mortais de bebês recém-nascidos e fetos. Descobriu-se que, além de praticar abortos, Deshayes também sacrificava bebês em missas negras, cremando os restos no forno

7. A princípio, La Voisin negou todas as acusações. Mas após um interrogatório cruel que envolveu 24 horas de tortura, Deshayes admitiu culpa pela morte de 2 mil recém-nascidos e fetos e por providenciar venenos para centenas de assassinatos. Segundo documentos oficiais, ela nunca revelou o nome de seus clientes, e a marquesa de Montespan foi apenas exilada

QUE FIM LEVOU? Madame Catherine Deshayes foi queimada viva em praça pública em 1680. Há relatos de que ela partiu vociferando e cantando canções obscenas

FONTES Livros Legends, Monsters, or Serial Murderers?, de Dirk C. Gibson, e Female Executions – Martyrs, Murderesses and Madwomen, de Geoffrey Abbott; artigo Women and Poisons in 17th Century France, de Benedetta Faedy Duramy

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História, Mundo Estranho
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