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Retrato Falado: Joseph Kallinger, o sapateiro (1936-1996)

Incitado a matar por uma cabeça imaginária, ele roubava casas e torturava os habitantes

sapateiro

ILUSTRA: André Toma

Incitado a matar por uma cabeça imaginária, ele roubava casas e torturava os habitantes

1. Nasceu na Filadélfia em 1936 e, antes de completar 2 anos, foi adotado. Stephen e Anna Kallinger costumavam castigá-lo usando desde golpes de cinta até marteladas. Como resultado, aos 6 anos, teve que operar uma hérnia na coluna. Seus pais lhe disseram que seu pênis também tinha sido operado para que ficasse pequeno e não funcional (uma mentira)

2. Filho único, Kallinger não tinha amigos e passava a maior parte do tempo ajudando os pais adotivos na sapataria da família. Em 1944, aos 8 anos, sofreu abuso sexual de um grupo de meninos mais velhos armados com faca. Essa agressão foi tão traumática que, futuramente, ele só conseguiria manter uma ereção segurando uma faca

3. Aos 17 anos, casou com sua namorada, Hilda, e teve dois filhos, mas a união durou apenas três anos. Em 1958, casou novamente, após sair de um hospital psiquiátrico. Teve cinco filhos: Joseph Jr., Mary Jo, Michael, James e Bonnie Sue. Extremamente abusivo, Kallinger costumava aplicar neles os mesmos castigos que tinha sofrido na infância

4. Kallinger foi denunciado por três de seus filhos em 1972 e cumpriu pena de quatro meses. Mary Jo revelou que costumava ser amarrada e queimada nas nádegas com uma espátula quente, enquanto Joseph e Michael disseram que foram espancados com cabo de martelo e tiras de couro. Na prisão, Kallinger foi diagnosticado com esquizofrenia paranoica

5. Acreditando ter recebido a missão divina de salvar a humanidade, Kallinger começou a se comunicar com Charlie, uma cabeça imaginária que lhe ordenava matar. Em julho de 1974, com a ajuda do filho Michael, então com 13 anos, ele fez sua primeira vítima: Jose Collazo, um menino de 10 anos, foi morto a facadas e teve seu pênis arrancado

6. Poucas semanas depois, a segunda vítima: o próprio filho Joseph Jr. Com a justificativa de tirar fotografias, Kallinger e Michael o levaram a um prédio abandonado. Lá, amarraram-no em uma escada de obras e o jogaram em uma área inundada, onde morreu afogado

7. Pai e filho iniciaram uma onda de assaltos em diversas cidades a partir de novembro de 1974. Os dois se passavam por vendedores e forçavam a entrada. Armados com facas e um revólver, rendiam e amarravam os moradores e roubavam dinheiro e itens de valor. Torturaram quatro famílias. Duas vítimas foram obrigadas a fazer sexo oral em Kallinger e outra levou uma facada

8. Em janeiro de 1975, a dupla realizou um assalto a uma casa lotada. A enfermeira Maria Fasching, de 21 anos, foi morta a facadas por rejeitar a ordem de cortar com os dentes o pênis de uma das vítimas. Na fuga, Kallinger desfez-se da sua camisa manchada de sangue. A roupa foi encontrada e o conectou ao crime

Curiosidade: Kallinger confessou o assassinato somente após ter sido preso por outros crimes e não chegou a ser julgado pela morte de Joseph Jr.

9. Em poucos dias, a polícia foi à casa de Michael. Os investigadores descobriram um buraco na parede que fazia divisa com a residência ao lado. Lá, encontraram Kallinger ao telefone com seu advogado. Ele foi detido, enfrentou dois julgamentos e foi condenado à prisão perpétua. Já Michael foi sentenciado a ficar em liberdade condicional até os 25 anos

10. Kallinger tentou o suicídio diversas vezes na prisão. Em uma, sufocou-se com uma capa plástica de um colchão. Em outra, incendiou o próprio corpo com líquido de isqueiro. Foi transferido a um hospital psiquiátrico e depois a um para criminosos insanos. Lá, tentou matar um detento. Em seus últimos anos, viveu confinado em uma solitária sob vigilância de suicídio

QUE FIM LEVOU? Morreu na prisão no dia 26 de março de 1996, aos 59 anos, de parada cardiorrespiratória. Michael foi para o reformatório e ganhou pais adotivos

FONTES Episódio Super Delirante da série Índice da Maldade (Discovery Channel), Joseph Kallinger “The Shoemaker”, pesquisa levantada pelo Departamento de Psicologia da Radford University, e sites Murderpedia e Crime Library