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105 anos: a idade “mágica” em que a velhice perde força

Nessa idade, a natureza parece oferecer uma "pausa dramática" ao poder do envelhecimento, segundo um novo estudo. Boas notícias para os superidosos.

Por Ana Carolina Leonardi Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
5 jul 2018, 20h08

Aqui vai uma notícia amarga: quanto mais velho você fica, maior a sua chance de bater as botas. Pode parecer um fato um pouco óbvio para começar uma notícia, mas reflita um pouco sobre isso.

Quando você sopra a velinha dos 50 anos, seu risco estatístico de morrer no prazo de um ano é três vezes maior do que era no seu aniversário de 30. Esse risco vai crescendo quanto mais velhos ficamos. Alguém de 51 anos tem menos chance de chegar são e salvo aos 52 do que alguém de 33 têm de chegar aos 34. É um destino de que não dá para fugir.

Mas um estudo da Universidade Sapienza de Roma parece ter encontrado uma idade estranha, em que as garras da velhice parecem se afrouxar um pouco: os 105 anos.

Os pesquisadores se basearam em dados recolhidos pelo Instituto Nacional de Estatística da Itália – que inclui registros cuidadosos até mesmo dos superidosos, ou seja, as pessoas que chegam aos 100 anos e ultrapassam a marca de um século de vida.

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Analisando os riscos de mortalidade em cada faixa etária, os autores notaram que, dos 100 aos 105 anos, a tendência permanecia a mesma. Aos 100 anos, o risco de mortalidade no próximo ano era de 40%. Ou seja, a probabilidade de chegar ao próximo aniversário era de 60%. E ficava ainda menor aos 101. E aos 102. E aos 103. A cada ano completado, maior o risco de morrer no ano seguinte.

Até que, do nada, a curva parava de crescer. Aos 105 anos, o risco de morrer parecia se equilibrar, segundo o estudo. Os superidosos de 106 tinham o mesmo risco de mortalidade que aos 105. E essa “estabilidade” permanecia dali para frente.

A chance de sobreviver de um ano para o outro não diminuía, como seria de se supôr. Permanecia a mesma, quer o superidoso tivesse 107 ou 112 anos.

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Faltam estudos maiores e com outras populações para verificar se, de fato, esse fenômeno dos 105 é verificável e aplicável aos humanos como um todo. Mas tem muita gente que apostava nessa “desacelerada” da mortalidade em superidosos antes mesmo do estudo surgir.

Essa é uma teoria chamada de “platô da mortalidade” – e é um fenômeno que também parece ocorrer em outros animais, como moscas. Ela parte do princípio de que é uma minúscula minoria da população – seja de humanos, seja de moscas – que vai atingir uma vida extremamente longa, muito acima da média. Mas quem dá conta de chegar além da maioria desfruta do benefício de um risco de morte estável, em vez de crescente.

Há quem defenda que esse platô seria uma consequência natural da teoria da evolução. A pressão da seleção natural levaria à morte gradual dos organismos mais frágeis. Entre as pessoas que vivem tanto assim, portanto, estariam apenas os seres mais resistentes, com os organismos mais “durões” (e, a princípio, os genes mais robustos).

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Esse é outro motivo, inclusive, para o nome “superidosos”: quem supera o aniversário de 100 anos costuma estar em condições de saúde surpreendentemente positivas. Só a nata da nata da melhor idade para dar conta de segurar as engrenagens do envelhecimento.

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