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Antibióticos atuais não darão conta de bactérias resistentes, alerta OMS

Segundo a agência, os antibióticos que estão sendo desenvoldidos hoje não são páreo para a tuberculose – que já não responde ao tratamento tradicional e mata 1,8 milhões de pessoas por ano

Por Bruno Vaiano 20 set 2017, 16h48

Um relatório publicado nesta quarta (20) pela Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que instituições de pesquisa e a indústria farmacêutica não estão investindo os recursos necessários no desenvolvimento de novos antibióticos – capazes de combater bactérias que já não são mais afetadas pelos medicamentos disponíveis atualmente. Uma das principais preocupações são as versões resistentes do bacilo de Koch, o agente causador da tuberculose. 1,8 milhões pessoas morrem por causa da doença todos os anos – dessas, 250 mil têm a versão do microorganismo imune ao tratamento.

“A resistência contra antibióticos é um problema de saúde global, que comprometerá seriamente o progresso da medicina moderna”, afirmou em um anúncio oficial Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor geral da OMS. “Há uma necessidade urgente de maiores investimentos em pesquisa e desenvolvimento de medicamentos para infecções resistentes como a tuberculose, ou nós seremos forçados a voltar a um tempo em que as pessoas tinham medo de doenças comuns e arriscavam suas vidas mesmo em cirurgias pouco preocupantes.”

O documento afirma que há 51 antibióticos em desenvolvimento. Trinte e três deles são voltados a doenças de alto risco. E só oito foram classificados pela OMS como soluções inovadoras, que realmente irão contribuir com o arsenal disponível atualmente nas farmácias. Os demais são atualizações ou derivações de drogas já em uso, que poderão aliviar a barrar por curtos períodos, mas em longo prazo não conseguirão conter bactérias mais resistentes.

Um remédio ainda em fase de testes foi considerado inovador pela OMS se ele cumprisse pelo menos um de quatro critérios:

– Atacar uma bactéria para a qual ainda não há medicação específica;

– Ter um novo mecanismo de ação;

– Pertencer a uma nova classificação química;

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– Não ter resistência cruzada com antibióticos que já existem (em outras palavras, não sofrer das mesmas deficiências que algum outro antibiótico no mercado).

“O grupo atual de antibióticos com pesquisas em andamento pode levar a cerca de dez novas aprovações nos próximos cinco anos”, afirma o relatório. “Esses tratamentos, porém, contribuirão muito pouco com as opções já existentes e não serão suficientes para impedir a iminente ameaça dos micróbios resistentes.”

Para combater a tuberculose é preciso tomar, em média, três antibióticos diferentes. Hoje, laboratórios do mundo todo estão trabalhando em apenas sete novas drogas voltadas à doença – e só uma delas está em um estágio mais avançado, prestes a sair do papel. Quatro delas estão em um estágio conhecido como “fase 1”, e demorarão cerca de sete anos para chegar ao mercado (se forem aprovadas, é claro).

O que torna a doença um caso especialmente difícil para a saúde pública é seu tratamento, que dura seis meses. Se o paciente não é capaz de levá-lo até o fim – o que é comum em países subdesenvolvidos, em que o acesso à medicação é limitado – a bactéria não será removida completamente do organismo e pode ressurgir, dessa vez com as temidas mutações blindadas.

“As pesquisas sobre a tuberculose não recebem o financiamento adequado. Apenas dois novos antibióticos para o tratamento da versão resistente chegaram ao mercado em um período de mais de 70 anos”, afirmou Mario Raviglione, diretor do programa de tuberculose da OMS. “Se quisermos acabar com a doença, precisaremos de pelo menos 800 milhões de dólares por ano para financiar a pesquisa de novos medicamentos.”

A OMS lembra que, embora desenvolver drogas mais poderosas que as atuais seja extremamente importante, o jeito mais simples de lutar contra a tuberculose é manter os pacientes em tratamento até o fim – evitando que o bacilo sobreviva e saia ainda mais forte da disputa.

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