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Biotecnologia vai à farmácia

Uma pesquisa recente revela que nos Estados Unidos há 21 produtos prontos para entrar no mercado, aguardando apenas o visto final do governo.

Há quase vinte anos, a Engenharia Genética criou a extraordinária expectativa de se alterar o “projeto” de um organismo – escrito em moléculas especiais chamadas genes – e assim construir seres nunca vistos na natureza, como coelhos dotados de hormônios de ovelhas, ou bactérias dotadas de anticorpos humanos. Isso de fato aconteceu – mas apenas nos laboratórios de pesquisas. Nas farmácias, por exemplo, é vendido até hoje o modesto número de catorze novos remédios, produzidos por bactérias “engenheiradas”.

Só agora, a situação começa a mudar: uma pesquisa recente revela que nos Estados Unidos há 21 produtos prontos para entrar no mercado, aguardando apenas o visto final do governo. Mas 111 estão na última fase dos testes, que é feita no próprio organismo humano, e não em animais. Ao todo, são 132 candidatos a se tornarem mercadorias, um incremento de 60% com relação ao número existente em 1988. Quase a metade desses medicamentos são anticorpos – substâncias naturais de defesa do corpo humano, produzidas em massa por microorganismos transformados, e que se espera usar contra o câncer e a Aids. Entre os restantes há novidade interessante, como a substância CD4 das células de defesa do organismo, à qual o vírus da Aids se liga no primeiro passo de sua invasão fatal. Se o paciente receber CD4 como remédio, o vírus poderá ser enganado: ao ligar-se a esses bois-de-piranha, deixaria as células defensoras em paz. O crescimento do interesse por Biotecnologia pode ser medido também pela bolsa de valores.