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Boato não falta sobre a cura do câncer

Com tanta indefinição, é fácil se apegar ao que dá esperança. Mas todo cuidado é pouco. Histórias sem fundamento existem aos montes - e colocam vidas em risco

A disseminação de falsas curas para o câncer se tornou tão grave nos Estados Unidos que o Food and Drug Administration (FDA), órgão que regulamenta a comercialização de alimentos e medicamentos, fez, em 2008, uma lista de 187 falsos produtos que eram anunciados como curas para o câncer, num comunicado oficial à imprensa. Esses produtos, comercializados como suplementos alimentares, explodiram em vendas, que ocorriam principalmente pela internet. Comprimidos, tabletes, chás, pomadas, cremes e tônicos, feitos com os mais variados extratos herbais e animais. Cartas de advertência foram enviadas a 23 empresas que propagandeavam esses produtos. A medida faz parte do esforço para evitar que informações falsas levem pacientes ao consumo de substâncias inócuas ou até perigosas. Veja alguns mitos que surgiram em torno do tratamento do câncer.

Extrato de graviola

O boato: pacientes que tinham tentado de tudo encontraram a cura na graviola. Alvoroço geral. A fruta virou pomada, comprimido, spray – e servia para tudo quanto é doença. Em 2010, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul testou a fruta. Resultado: células cancerígenas se multiplicaram mais rápido. Ou seja, além de não curar, o extrato pode potencializar a difusão do câncer.

Bicarbonato de sódio

O oncologista italiano Tullio Simoncini reparou que todos os pacientes tinham afta. Por achar, então, que a infecção fúngica causava câncer, e não o contrário, usava bicarbonato de sódio no tratamento e dizia curar o câncer. Ele teve a licença cassada e acabou condenado por fraude e homicídio culposo, após a morte de um de seus pacientes.

Cartilagem de tubarão

No livro Sharks Don’t Get Cancer, o médico William Lance defendeu que uma proteína na cartilagem do tubarão inibia a sobrevivência dos tumores. Surgia ali uma nova “cura”. Pesquisadores se desdobraram para confirmar a informação, mas descobriram que a cartilagem é tóxica e, hoje, está associada a doenças neurológicas, como o Alzheimer.

Para saber mais: Leia a lista “187 Fake Cancer ‘Cures’ Consumers Should Avoid”

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