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Cientistas dividem sintomas da Covid-19 em seis tipos. Veja quais são eles

Um estudo analisou 1.600 pacientes para definir os quadros sintomáticos mais comuns – e as chances de hospitalização em cada um dos casos.

Por Maria Clara Rossini - 28 jul 2020, 16h27

Febre, perda de olfato e diarreia. Ou então falta de ar, fadiga e confusão mental. Os sintomas da Covid-19 são tão distintos que nem parecem ter origem na mesma doença. Um dos maiores enigmas entre médicos e pesquisadores desde o início da pandemia é entender por que o quadro clínico dos pacientes com o coronavírus é tão diverso. Alguns mal apresentam sintomas; outros relatam ser a gripe mais forte que já sentiram na vida; enquanto outros, ainda, acabam precisando de ventilação mecânica.

Para entender melhor cada um desses casos, pesquisadores da universidade King’s College, de Londres, reuniram informações de pessoas cadastradas em um aplicativo do sistema de saúde da Inglaterra para monitorar os sintomas da doença, o COVID Symptom Study app. Mais de quatro milhões de pessoas, com ou sem a doença, já baixaram a ferramenta.

O grupo de pesquisadores usou um algoritmo para analisar as informações de 1.600 pacientes do Reino Unido e Estados Unidos com Covid-19, que entravam no aplicativo regularmente entre março e abril para informar seus sintomas no período. Os resultados da pesquisa ainda devem ser revisados por cientistas independentes antes de serem publicados em um periódico científico, mas já estão disponíveis para consulta neste link.

Os sintomas mais relatados foram a perda de olfato e dor de cabeça, que poderiam variar em intensidade ao longo do tempo. A ideia era descobrir se existem certos sintomas que vêm acompanhados de outros ou que fazem parte de um quadro específico. Os cientistas, então, chegaram nos seis tipos listados a seguir.

1 – Quadro semelhante à gripe, sem febre: Dor de cabeça, perda de olfato, dor muscular, tosse, dor de garganta, dor no peito, sem febre.

2 – Quadro semelhante à gripe, com febre: Dor de cabeça, perda de olfato, tosse, dor de garganta, rouquidão, perda de apetite, febre.

3 – Quadro gastrointestinal: Dor de cabeça, perda de olfato, dor de garganta, dor no peito, perda de apetite, diarreia, sem tosse.

4 – Quadro severo nível 1 (fadiga): Dor de cabeça, perda de olfato, tosse, febre, rouquidão, dor no peito, fadiga.

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5 – Quadro severo nível 2 (confusão mental): Dor de cabeça, perda de olfato, perda de apetite, tosse, rouquidão, dor de garganta, dor no peito, dor muscular, febre, fadiga, confusão mental.

6 – Quadro severo nível 3 (falta de ar): Dor de cabeça, perda de olfato, perda de apetite, tosse, rouquidão, febre, dor de garganta, dor no peito, fadiga, confusão mental, dor muscular, diarreia, dor abdominal, dificuldade para respirar.

Depois, os pesquisadores identificaram irritações na pele de um de cada dez casos analisados. O sintoma ficou conhecido popularmente como “dedos de covid”, pela vermelhidão característica nos dedos do pé. Ainda não havia dados suficientes sobre o sintoma até o término do artigo, então ele não foi incluído na análise.

Essas não são as únicas combinações possíveis de sintomas, é claro. Uma pessoa infectada pelo coronavírus pode ter apenas um, nenhum, ou todos os sintomas listados acima. Mas qual é a relevância de um levantamento desses, então? Fazendo isso, é possível identificar em qual dos quadros o paciente se encontra pode ajudar a prever se ele vai precisar de hospitalização ou não.

Após coletar os dados, os pesquisadores verificaram quais dessas pessoas precisaram de oxigênio ou ventilação mecânica após relatarem os sintomas. Os resultados mostram que 1,5% dos pacientes do quadro 1 precisaram de respiradores. O número aumenta para 4,4% no grupo 2, e cai para 3,3% no grupo 3.

Nos estágios mais severos da doença, a porcentagem dobra. 8,6% dos pacientes com o quadro 4 precisaram da ventilação, enquanto o valor é 9,9% para o grupo 5 e 19,8% para o grupo 6. Além disso, metade dos pacientes do grupo 6 precisaram ir ao hospital (mesmo que não tenham passado pelo respirador). Só 16% das pessoas do grupo 1 tiveram que procurar ajuda médica.

Os pacientes dos grupos 4, 5 e 6 também tendem a ser mais velhos ou com condições de saúde pré-existentes, como diabetes ou doenças respiratórias, quando comparados aos grupos 1, 2 e 3.

Identificar o quadro de sintomas com antecedência, como vem sendo feito via aplicativo, pode ajudar os médicos e hospitais a se preparem para uma eventual alta na demanda. Tratar um paciente desde cedo, claro, também aumenta as suas chances de recuperação. 

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