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Cigarro e a poluição urbana, pobres pulmões

O sistema respiratório enfrenta, o tempo todo, dois inimigos implacáveis: o cigarro e a poluição urbana.

Xavier Bartaburu

Chegar de avião a um lugar como São Paulo pode ser uma experiência assustadora. Uma olhada lá de cima, pela janelinha, revela uma nuvem cinza, espessa e densa pairando permanentemente sobre a cidade. Toneladas de substâncias tóxicas fazem parte da composição do ar de muitas metrópoles do mundo, invadindo pulmões e causando doenças que vão matando aos poucos. Os carros e as fábricas são os principais culpados pela poluição nos centros urbanos.

A outra grande ameaça ao sistema respiratório é o cigarro. Sua fumaça contém cerca de 4 000 substâncias diferentes, a maior parte delas nocivas, como o monóxido de carbono, o mesmo gás que sai dos escapamentos dos carros. O alcatrão irrita as vias respiratórias e destrói o tecido do pulmão, causando uma doença incurável, o enfisema. Os hidrocarbonetos estão associados ao câncer do pulmão (o cigarro é o culpado em 90% dos casos). Já a nicotina tem o efeito de contrair os vasos sangüíneos, aumentando a pressão arterial – um grave fator de risco no infarto e nos derrames.

 

Para onde vai a sujeira

1. Os alvéolos são as pequenas bolsas, dentro dos pulmões, onde se produz a passagem do oxigênio para o sangue.

2. As substâncias tóxicas do cigarro, especialmente o alcatrão, irritam as paredes dos alvéolos, estimulando a produção de uma grande quantidade de muco. Com o muco acumulado e a saída de ar dificultada, os alvéolos incham.

3. Afinal, as suas paredes se rompem, causando o enfisema.

 

Acessório inútil

A poluição é uma séria ameaça à saúde em grandes metrópoles (ao lado, São Paulo). Em algumas delas, como na Cidade do México (foto acima), os moradores chegam a usar máscaras para se proteger. Mas esse cuidado pouco adianta. O máximo que as máscaras fazem é filtrar a poeira que está em suspensão no ar

 

 

O tubo da morte

Conheça os venenos que saem do escapamento dos carros e o mal que eles causam.

Monóxido de carbono: dificulta a oxigenação do organismo, provoca náuseas e dor de cabeça. Agrava doenças cardíacas e afeta o sistema nervoso, causando falhas de percepção e diminuição dos reflexos. Em grandes doses, é fatal. 

Hidrocarbonetos: irritam os olhos, o nariz e a pele, causam tosse e sonolência.

Óxidos nitrosos: irritam o sistema respiratório em geral, reduzindo a capacidade pulmonar. A longo prazo, podem causar enfisema e gerar substâncias cancerígenas.

Dióxido de enxofre: ataca as vias respiratórias superiores, provocando tosse, catarro e irritação das mucosas. Diminui a resistência do organismo às infecções.

Fuligem: de tamanho microscópico, são partículas de poeira e fumaça que conseguem chegar aos pulmões. No caminho, carregam outros poluentes, alguns deles cancerígenos. Provocam também alergia, asma e bronquite.

 

Quem sabe é super

Um dos maiores inimigos do sistema respiratório é o ar-condicionado. Quando instalado em grandes prédios comerciais , os microorganismos usam suas tubulações para viajar de um andar para outro, contaminando todo mundo.

 

A mais perigosa das drogas

O cigarro, glamourizado pela publicidade, é um grave problema de saúde pública. As doenças ligadas a ele causam 2,5 milhões de mortes por ano, segundo a Organização Mundial da Saúde. Como toda droga, ela vicia: sete em cada dez fumantes já tentaram largá-lo, sem conseguir. De acordo com o químico Linus Pauling (1901-1994), Prêmio Nobel de Química e da Paz, quem fuma tem uma expectativa de vida oito anos menor do que quem não fuma