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Como a ciência acredita que será a evolução do nosso corpo no futuro?

O corpo do homem moderno está mudando de acordo com uma rotina mais sedentária e tecnológica. Essa é a essência da evolução. Mas como seremos no futuro?

 ILUSTRAS Adams Carvalho

Todos os seres vivos se adaptam ao meio em que vivem, e isso não é diferente com o ser humano. O corpo do homem moderno está mudando de acordo com uma rotina mais sedentária e tecnológica. Essa é a essência da evolução. Mas como seremos no futuro? Saiba quais são os nossos possíveis próximos passos evolutivos e como serão nossos descendentes

METAMORFOSE AMBULANTE

Mutações, seleção natural e inovações tecnológicas são os fatores que vão determinar a mudança dos seres humanos nos próximos milhares de anos

2 - humanos cabeçudos

1) Pesquisas apontam que o cérebro será maior. Geneticistas comprovaram que dois genes que influenciam no tamanho e na complexidade do órgão continuam sofrendo mutações. O cérebro acima é só um pouco maior que o atual, mas, daqui a 1 milhão de anos, ele poderá crescer três vezes mais, elevando nossa capacidade intelectual. E entusiastas dos estudos de inteligência artificial acreditam que, cada vez mais, nosso corpo terá partes robóticas. Microchips para controlar doenças e sinais vitais próteses metálicas, cérebro wi-fi… Algumas já existem, como o Argus 2, que converte imagens em pulsos elétricos e os transmite a eletrodos implantados nos olhos. Com ele, pessoas com visão muito debilitada voltam a enxergar

2) A cabeça do Homo sapiens já é considerada grande – uma vez que precisa passar pelo canal vaginal durante o parto. Alguns cientistas afirmam que o crânio deve continuar do mesmo tamanho ou até diminuir para que o nascimento seja possível, mas as cesarianas contrariam essa tese. Elas podem viabilizar a sobrevivência de humanos cabeçudos – que vão se reproduzir e perpetuar essa característica

3) Há 50 mil anos, quando os homens ainda caçavam para comer e corriam risco de ataque de animais na floresta, enxergar bem era uma questão de sobrevivência. Hoje, um bom par de óculos ou de lentes de contato resolve o problema de ler o rótulo da carne congelada no supermercado. Com essa facilidade e sem predadores, humanosmíopes(ou com outros problemas de visão) vão sobreviver e passar adiante seus genes com esses problemas

4) Esqueça aquela regra de que é preciso mastigar 30 vezes antes de engolir cada garfada. Isso vai ser coisa do passado. Com tantos alimentos processados e macios disponíveis, a tendência é que os humanos do futuro tenham dentes pequenos e em menor número. E isso já começou a acontecer! Já notou que algumas pessoas já não nascem mais com os sisos?

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5) O sedentarismo pode afetar nossos membros. Para reduzir o esforço, os braços serão mais longos. Se as telas sensíveis ao toque seguirem em alta, dedos também serão maiores. Quem quiser ter essa sensação pode comprar o Yubi Nobiiru, extensor de dedão desenvolvido por uma empresa japonesa

6) O número de pessoas com obesidade no mundo já é o dobro do que era em 1980. Em 2014, 1,9 bilhão de pessoas estavam com sobrepeso – dessas, 600 milhões eram obesas. E, mesmo considerando que milhões e milhões de pessoas ainda enfrentam a fome e a desnutrição em países pobres, o acesso farto que o resto do mundo tem a comida (muitas vezes, não muito nutritivas) pode transformar a silhueta da humanidade. (Previsão do futuro? Em 2008, a animação Wall-E mostrou humanos obesos tendo uma vida virtual em poltronas hi-tech)

7) Alguns pesquisadores acreditam que os hábitos alimentares vão moldar o nosso sistema digestivo. Uma das mudanças mais significativas é no intestino, que ficará mais curto. Com essa nova característica, ele poderá absorver menos gordura e açúcar. Assim, o metabolismo poderá ficar mais rápido e, consequentemente, seremos mais magros. Essa teoria, porém, rebateria a tese da obesidade ou aconteceria milhares de anos após o ser humano ser gordinho.As amídalas e o apêndice, conhecidos pelas inflamações e por não terem função alguma, estão propensos a desaparecer no futuro

6 - altura média

O céu é o limite

Se a comida abundante pode nos deixar obesos, também pode fazer nossos descendentes ganharem mais alguns centímetros. Ao longo das últimas centenas de anos, a altura média da nossa espécie aumentou cerca de 10 cm. Quanto melhor a nutrição de uma criança, mais energia ela terá para crescer. Partindo desse pressuposto, acredita-se que o ser humano médio chegará a medir de 1,80 m a 2,10 m. E, se a comilança continuar a mesma, esse número continuará aumentando

7 - sistema imunológico fraco

Gripado de novo?

Para alguns futurologistas, o consumo desmedido de medicamentos e hormônios artificiais pode tornar a espécie humana completamente dependente desses recursos para sobreviver. Com um sistema imunológico mais fraco e incapaz de produzir naturalmente as substâncias que botam ocorpo para funcionar, nossos descendentes viverão em farmácias

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8) A monoetnia é o caminho evolutivo mais provável para a sociedade multicultural em que vivemos hoje. As diferentes etnias do mundo inteiro devem se misturar de tal modo que todas as pessoas ficarão com tom de pele e de cabelo muito semelhante – mais puxado para o moreno e cacheado. Claro, isso se a manipulação genética não se desenvolver e alterar essa tendência, criando novas “embalagens” para os humanos

9) Carros, elevadores, esteiras rolantes, controle remoto, delivery… A vida contemporânea é um convite ao sedentarismo. Juntando isso ao hábito de trabalhar várias horas sentado, o resultado é um corpo mais flácido. Esqueça os bombadões! Por não precisarem empregar força física, graças às máquinas que fazem todo o trabalho pesado, os músculos vão ser menores e bem mirradinhos. E flacidez nem sempre é algo ruim. Graças a ela, um dos músculos da mandíbula se atrofiou e, com isso, você consegue relaxar seu maxilar

10) Os barbudos, que hoje fazem tanto sucesso, serão uma espécie em extinção. No decorrer do processo de evolução, já perdemos muitos pelos do corpo. E a tendência é que isso continue, deixando o mundo com mais carecas e levando as depiladoras à falência. Isso se deve ao fato de que o ser humano não precisa mais de uma proteção natural contra o frio e, também, pela valorização da ausência de pelos nas mulheres. Como as que têm menos pelos são tidas como mais atraentes, teriam mais chances de se reproduzir

11) Os pés dos ancestrais do Homo sapiens funcionavam como garras para subir em árvores e lutar entre si ou com outros animais. Como essas atividades se tornaram obsoletas, os dedos dos pés estão cada vez mais curtos e se especula que alguns possam desaparecer em uns milhares de anos. Já há relato de pessoas sem as unhas de seus mindinhos dos pés. Os dedões e os dedos intermediários têm sua preservação garantida: eles nos ajudam a manter o equilíbrio como bípedes por isso, devem ser preservados

9 - expectativa de vida

Rumo à imortalidade

Nos últimos 60 anos, a expectativa de vida mundial aumentou mais de 20 anos. Com o desenvolvimento de suplementos nutricionais e de técnicas que prometem prolongar ainda mais esse tempo, é possível que o ser humano do futuro ultrapasse os 100 anos com facilidade. Ou seja, teremos um mundo mais cheio de vovôs

11 - fertilização in vitro

Sob encomenda

O melhoramento genético de seres humanos já existe. Hoje, há cerca de 3 milhões de crianças geradas por fertilização in vitro. Parte delas passou por um processo de seleção, a fim de evitar deformidades e doenças. Se essa tecnologia se perpetuar, nos próximos séculos a raça humana estará livre de doenças genéticas, como o mongolismo, e de males como artrite e Alzheimer

De volta para o passado

Conheça alguns detalhes cruciais da evolução do corpo humano. Desde o surgimento do Homo sapiens, há 190 mil anos, já passamos por várias modificações

Ficamos com a cabeça maior e o corpo com mais partes descobertas de pelos

Os joelhos ficaram mais protuberantes e as pernas mais longas

O cérebro cresceu e chegou a 1,4 mil cm³, duas vezes o que um chimpanzé leva na cabeça

Os dentes deixam de ser pontudos e ficam mais frágeis e mais simétricos

A laringe e o osso hioide, que fica na base da língua, desceram para permitir a fala

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CONSULTORIA Briana Pobiner, antropóloga, educadora e cientista

FONTES Anvisa, The World Bank – Life Expectancy, UN World Population Prospects