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Coronavírus no Brasil: 5 perguntas para entender a chegada do vírus

Como a COVID-19 veio até aqui? Você deve usar máscara na rua? Há risco de epidemia? Confira as respostas para essas e outras questões.

Por Bruno Carbinatto - Atualizado em 25 mar 2020, 12h14 - Publicado em 26 fev 2020, 16h14

Dois meses após surgir na China, a COVID-19 – doença respiratória causada por um novo tipo de coronavírus – foi identificada no Brasil na última quarta-feira (26/02). A confirmação foi dada pelo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, em coletiva de imprensa. Com isso, o Brasil se torna o primeiro país a reportar um caso do vírus na América Latina – que, até agora, era a única região do mundo sem nenhum caso relatado da doença.

Confira as respostas para cinco perguntas relevantes agora que sabemos que o vírus está defintivamente entre nós: 

1) Como a COVID-19 chegou ao Brasil? 

O primeiro caso foi detectado em um homem brasileiro de 61 anos, que viajou a trabalho para a região de Lombardia, norte da Itália, no dia 9 de fevereiro, retornando para a cidade de São Paulo no dia 21. Quando ele chegou, estava assintomático, mas dois dias depois apresentou sintomas e procurou ajuda médica. Como ele veio de uma área onde há um surto, um exame preliminar foi feito pelo Hospital Albert Einstein e indicou resultado positivo. A confirmação oficial veio do Instituto Adolfo Lutz, se tornando assim o primeiro caso da doença confirmado em toda a América Latina.

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A Itália, por sua vez, vive o maior surto da doença na Europa: até a tarde do dia 26/02, já eram mais de 370 casos de covid-19 confirmados e 12 mortes, concentradas no norte do país.

2) Há risco de epidemia?

Ainda não dá para saber. Só há um caso confirmado até agora, mas outros 20 estão sendo monitorados como suspeitos – a maioria (11) no estado de São Paulo. Um dos casos suspeitos é a esposa do homem já infectado; os outros são de pessoas que viajaram para países onde há casos confirmados da doença, como Itália, Alemanha e a própria China. Outros 59 casos já foram descartados. 

A Agência Nacional da Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que outras 46 pessoas que tiveram contato com o paciente serão procuradas e contatadas – 30 são familiares do homem e 16 são pessoas que estiveram no mesmo voo que ele. Esses indivíduos serão orientados a procurar a rede de saúde caso desenvolvam sintomas da doença.

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O número de pessoas em monitoramento é grande, mas estudos preliminares já demonstraram que cada indivíduo infectado passa o vírus para, em média, 2 a 3 outras pessoas. 

De qualquer forma, não há nada que justifique pânico. A detecção precoce da doença no Brasil ajuda no rastreamento da doença, e mesmo na China, onde a doença surgiu e se espalhou rapidamente, a transmissão está sendo contida aos poucos. 

3) O que fazer para se precaver? 

Os protocolos de prevenção da Organização Mundial de Saúde e do Ministério da Saúde concordam que a melhor maneira de se precaver é a higienização, lavando as mãos com frequência ou utilizando desinfetantes à base de álcool. Outra medida eficaz é evitar levar as mãos ao nariz, boca ou olhos sem antes lavar as mãos. De resto, valem as regrinhas aplicadas em casos de gripe comum: espirrar e tossir apenas em lenços descartáveis; evitar aglomerações de pessoas; limpar e desinfetar objetos com frequência; e manter uma dieta saudável para fortalecer o sistema imunológico.

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4) Devo usar máscara cirúrgica ao sair na rua?

Por incrível que pareça, não é necessário. Apesar de ser uma visão comum em diversas cenas da epidemia pelo mundo, as máscaras descartáveis comuns protegem muito pouco contra a COVID-19. Além disso, se usadas por muito tempo, podem acumular fluídos infectados em sua superfície e assim levar o vírus para pessoas próximas. Por isso, nem a OMS nem o Ministério da Saúde citam o uso de máscara como uma medida de prevenção efetiva – o melhor mesmo é a higienização constante. 

As máscaras só são recomendadas em alguns casos, como quando a pessoa já estiver infectada com a doença, porque ela evita que o vírus seja passado adiante, ou quando uma pessoa saudável vai ter contato próximo com uma pessoa que já estiver infectada, como no caso de médicos e agentes de saúde. Nesses casos, é necessário utilizar um respirador do tipo PFF2/N95, que deve ser descartado imediatamente após o uso.

5) Quais são os sintomas de uma possível infecção? O que fazer na presença deles?

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Os sintomas da doença parecem com o de uma gripe comum: coriza, febre e tosse, e, em quadros mais graves, dificuldade para respirar. Se você apresentar algum desses sintomas, deve procurar uma unidade de saúde e relatar se viajou para o exterior recentemente ou se teve contato com alguém que viajou. 

O protocolo médico é testar os pacientes suspeitos, mas só internar aqueles que apresentarem sintomas graves, como dificuldade em respirar. Quem apresentar apenas sintomas leves deve ficar em quarentena em sua própria casa até a doença desaparecer. Isso porque, em um hospital, o infectado pode passar a doença adiante para pessoas já vulneráveis e doentes.

Não há cura conhecida para a COVID-19: o jeito é esperar que o sistema imunológico se livre do vírus por si só. Por isso, pessoas mais velhas ou com o sistema imunológico debilitado estão sob maior risco.

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