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Covid-19: Laboratório desenvolve testes de US$1 para África Subsaariana

O protótipo é parecido com um teste de gravidez e mostra o resultado em apenas 10 minutos.

Por Carolina Fioratti - 15 Maio 2020, 18h13

O continente africano – segundo mais populoso da Terra, com 1,2 bilhões de habitantes – surpreendeu diante da pandemia. Apesar de haver casos confirmados em todos os seus 54 países, os números são menores do que o esperado – há, no total, cerca de 70 mil casos e quase 2,5 mil mortes, de acordo com o Centro para Prevenção e Controle de Doenças da União Africana. Em comparação, o Brasil, sozinho, soma 212 mil casos de infecção e mais de 14 mil mortes. 

Praticamente metade dos casos africanos estão na África do Sul, Egito, Marrocos e Argélia. Deles, apenas a África do Sul faz parte da chamada África Subsariana (países ao sul do deserto do Saara). Há alguns pontos que explicam esse maior quadro de infecções. O primeiro é que, com exceção da Argélia, esses países são considerados turísticos – bem diferente de regiões ainda pouco exploradas por viajantes, como Lesoto, último país a confirmar casos de covid-19. Além disso, a população africana soube reagir com rapidez à pandemia, talvez como resultado de anos de luta contra outras doenças, como o ebola e a malária. 

Mas há um fator importante: a subnotificação. Muitos países da África Subsariana não tem serviços de saúde estruturados, então, a testagem por meio da técnica de reação em cadeia da polimerase (PCR), usada para detectar sequências de RNA do vírus, pode não ser a melhor opção. Além de seu alto custo, o método demanda o uso de equipamentos sofisticados e leva horas para dar o resultado. Pensando nisso, pesquisadores da DiaTropix, umabase de testes no Senegal administrada pelo Instituto Pasteur, produziram o protótipo de um teste que custaria apenas US$ 1 (R$ 5,85) e mostraria o resultado em apenas 10 minutos. 

O protótipo se parece com um teste de gravidez caseiro, e conta com dois componentes, um teste de saliva e um exame de sangue. O primeiro será usado para detectar infecções atuais através de antígenos presentes na saliva, e o segundo para infecções anteriores através da detecção de anticorpos no sangue.

Os protótipos passarão por um período de testes e, caso sejam bem-sucedidos, devem começar a serem distribuídos a partir de junho. Pesquisadores acreditam que, com o novo método, será possível realizar entre 500 e 1000 testes por dia. Com esses dados em mãos, ficará mais fácil para o governo de cada país africano rastrear os casos e, aos poucos, relaxar suas medidas de contenção, retomando a economia.  

A DiaTropix conta com a parceria da empresa britânica Mologic, especializada em diagnósticos rápidos para outras epidemias, como ebola, sarampo, febre amarela, dengue e malária. O Reino Unido está financiando a pesquisa com um milhão de libras (R$ 7 mi). 

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