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A origem de 11 expressões futebolísticas

Se já não somos aquela potência dentro de campo, numa coisa continuamos insuperáveis: na vocação para criar e adaptar expressões divertidas para o futebol

Bicho

O prêmio que se dá aos jogadores por vitória é uma invenção vascaína de 1923. Naqueles tempos pré-salários milionários, a torcida cruzmaltina dava dinheiro aos atletas se o resultado fosse bom. Os torcedores tinham uma senha inspirada no jogo do bicho para determinar que valor dariam. Um empate bom valia um cachorro – número 5 no bicho e, portanto, equivalente a 5.000 réis. Um coelho, número 10, significava 10.000. E assim ia até a vaca, número 25, prêmio para grandes vitórias. Daí veio também a expressão “fazer uma vaquinha”.

Cartola

Originou-se da figura-símbolo do Fluminense, criada pelo chargista argentino Molas. O personagem era um sujeito de cartola e passou a designar qualquer dirigente.

Corneteiro

Expressões futebolísticas: corneteiro

Torcedor que, sempre insatisfeito, se sente no direito de exigir a demissão do técnico e critica jogadores. A origem está na cultura dos boiadeiros – vem de boi-corneta, animal que, com os mugidos, reúne o rebanho em torno de si.

Escrete

Expressões futebolísticas: escrete

Quer dizer “seleção”. Vem do inglês scratch (arranhar), forma abreviada de scratch team, que quer dizer mais ou menos “time escolhido a dedo”.

Folha-seca

Cobrança de falta criada pelo craque Didi nos anos 50. Chutada com a parte externa do pé, próximo do bico da chuteira, a bola supera a barreira, e com o efeito, cai de repente no gol, como uma folha seca caindo da árvore.

Gandula

Bernardo Gandulla era um meia argentino do Vasco em 1939. Com a característica raça dos argentinos, Gandulla sempre corria para buscar as bolas, a fim de evitar que o jogo parasse. Quando os times começaram a contratar garotos para fazer esse serviço, a torcida vascaína já tinha um apelido pronto.

Gatos pingados

Expressões futebolísticas: gatos pingados

Pequeno grupo de torcedores. O Gato Pingado foi um personagem criado pelo humorista Henfil como símbolo do América do Rio.

Lanterninha

Equipe que termina em último num torneio. O mesmo termo dá nome à luz de popa de uma embarcação, ou seja, a luz que fica atrás do barco.

Pó-de-arroz

Nos anos 20, os negros eram proibidos de jogar em vários grandes clubes. Numa partida contra o América, um mulato chamado Carlos Alberto, do Fluminense, entrou em campo com o rosto cheio de pó-de-arroz, para se passar por branco. Os rivais descobriram a farsa e passaram a chamar a torcida tricolor de pó-de-arroz. Por tabela, o apelido foi exportado para São Paulo, para homenagear os também tricolores são-paulinos.

Zebra

A palavra deve a origem ao jogo-do-bicho. Na verdade, a zebra não está entre os 25 animais que emprestam seus nomes a essa loteria ilegal. Por isso, “dar zebra” é impossível. O termo passou a significar um resultado muito inesperado.

Zona do Agrião

Expressões futebolísticas: Zona do Agrião

As proximidades do gol. Naquele lugar de disputas ferrenhas a grama não nasce. Só o agrião, planta resistente, cresceria lá. Detalhe: não é verdade que o agrião seja tão resistente.