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Gordura trans pode aumentar sua chance de ter ataques cardíacos

Por EXAME.com Atualizado em 31 out 2016, 19h00 - Publicado em 14 ago 2015, 16h08

Marina Demartini

Um estudo publicado no British Medical Journal pode mudar tudo que se sabe sobre dietas. Segundo cientistas, não é um regime à base de gordura saturada que provoca diabetes e problema cardíacos e, sim, um recheado de gordura trans.

A gordura saturada é encontrada em queijos e carnes, como o bacon e na manteiga. Já a trans pode ser dividida em dois tipos.

A primeira é a natural, que fica armazenada no estômago de animais. A segunda é a industrial, produzida a partir de óleos vegetais líquidos, que são transformados em gorduras sólidas com a adição de hidrogênio. Esta, geralmente, é adicionada na margarina ou em salgadinhos industrializados.

Descoberto método para transformar gordura ruim em gordura boa

De acordo com a pesquisa, o consumo de gorduras trans está associado a um aumento de 30% no risco de uma pessoa ter ataques cardíacos. Os cientistas também descobriram que as pessoas que mantém uma dieta rica em gorduras trans têm 18% mais chance de morrer dos efeitos de uma doença cardíaca.

O estudo publicado se utilizou da metanálise para fazer a descoberta. Isso significa que os pesquisadores integraram os resultados de vários estudos para chegar a uma conclusão.

Devido à utilização desta técnica, os cientistas não puderam responder a todas as questões relacionadas ao assunto. Por exemplo, não havia dados suficientes para determinar se a gordura trans está relacionada a um aumento do risco de diabetes do tipo 2.

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Além disso, como as gorduras saturadas são uma classe de compostos, alguns pesquisadores acham que algumas delas são mais saudáveis do que outras. No entanto, é difícil dizer se isso é verdade a partir desta pesquisa, pois os cientistas avaliaram o efeito do consumo de grandes quantidades de gordura saturadas.

Vai e vem de dietas

O estudo desbancou uma ideia aceita por vários médicos e nutricionistas. Ele revelou que as gorduras saturadas não estão associadas a doenças cardíacas, derrame, diabetes ou morte precoce.

A Associação Americana de Cardiologia e o Instituto Nacional de Saúde dos EUA declarou guerra contra as gorduras saturadas no início da década de 60. O alerta institucional era baseado nas pesquisas de Ancel Keys, professor da Universidade de Minnesota.

O pesquisador descobriu uma relação entre a gordura saturada e a mortalidade em sete países: Japão, Holanda, Estados Unidos, Iugoslávia, Grécia, Finlândia e Itália.

No mesmo ano, Keys foi capa da revista TIME e ditou um novo regime para os americanos. Segundo o professor, os cidadãos deveriam cortar as gorduras saturadas de suas dietas de 40% para 15% para evitar o aumento nas taxas de colesterol no sangue.

Vários médicos começaram a dizer para seus pacientes que era mais saudável comer margarina do que manteiga. Porém, aparentemente, o vilão aqui é a margarina. Ela é um dos alimentos que mais possui gorduras do tipo trans.

Nada novo de novo

A descoberta dos efeitos negativos das gorduras trans não é algo novo. Em 2006, entrou em vigor no Brasil a norma que obriga fabricantes a especificarem na embalagem a quantidade de gordura trans contida nos alimentos.

A medida, determinada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), animou muitos médicos. De acordo com o site do hospital Albert Einstein, este tipo de gordura eleva o colesterol ruim (LDL) e diminui o colesterol bom (HDL).

Pesquisas anteriores também descobriram que as gorduras trans podem aumentar o risco de doenças cardíacas e até afetar a memória.

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