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Infestação de vermes no cérebro podem ter causado alucinações em mulher nas Filipinas

Após meses de dores de cabeça e delírios visuais, a paciente descobriu que tinha cistos cheios de larvas de tênia no cérebro.

Por Amanda Nascimento 19 set 2026, 08h01
Infestação de vermes no cérebro podem ter causado alucinações em mulher nas Filipinas Priorizar nos meus resultados Google

Uma mulher filipina de 52 anos chegou ao pronto-socorro de um hospital local com sintomas preocupantes. Durante quatro meses, a paciente dizia sentir dores de cabeça e alucinações visuais intermitentes. Apesar de conseguir falar, ela apresentava dificuldades para nomear objetos, repetir palavras e seguir comandos simples.

A princípio, médicos tinham dúvidas sobre qual seria o possível diagnóstico. Como ela relatava ver animais e pessoas que não estavam de fato presentes, a equipe de plantão chegou a cogitar a possibilidade de um transtorno psiquiátrico. Mas os problemas cognitivos da paciente pesaram a favor de uma investigação mais ampla, com uma bateria de exames.

O primeiro deles, um eletroencefalograma (EEG) com atividade cerebral considerada anormal, levantou a suspeita de que as alucinações estariam relacionadas a convulsões. Foram os exames de imagem, porém, que enfim revelaram a origem do mistério: havia cistos espalhados por todo o cérebro da paciente. 

Muitos dos cistos continham um ponto minúsculo brilhante, conhecido como escólex, que corresponde à “cabeça” da tênia do porco (Taenia solium). O diagnóstico final foi de neurocisticercose, uma infecção grave do sistema nervoso central em que larvas da tênia de porco se alojam no cérebro.

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A mulher não fazia ideia do que era a doença nem onde ou como foi infectada. O caso dela virou um relato publicado no New England Journal of Medicine em julho deste ano por médicos do Jose R. Reyes Memorial em Manila, nas Filipinas.

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Neurocisticercose

A tênia de porco costuma se manifestar em forma de infecção intestinal. Popularmente conhecida como teníase, o parasita se instala no organismo com a ingestão de carne crua ou mal cozida que estejam contaminadas.

Há, porém, uma outra maneira dessas criaturas entrarem no seu organismo: você pode ingerir seus ovos microscópicos. Uma vez ingeridos, os ovos da tênia eclodem no intestino, liberando larvas que podem entrar na corrente sanguínea e migrar para outros tecidos do corpo – inclusive, o cérebro. Essa é a versão da doença que chamamos de neurocisticercose.

Uma via comum de infecção é a transmissão fecal-oral: uma pessoa infectada pela tênia intestinal elimina ovos microscópicos nas fezes e, devido à higiene precária das mãos ao preparar alimentos ou até mesmo ao tocar em superfícies, eles podem acabar sendo ingeridos por outra pessoa. Neste caso, a transmissão acontece por meio de alimentos ou água contaminada. 

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No ano anterior à infecção, por exemplo, a mulher filipina havia frequentado centros de evacuação (construídos para abrigar a população durante desastres naturais). Segundo os médicos, as condições de saneamento e higiene no manuseio de alimentos do local eram precárias – o que aponta o centro como a origem provável do contágio. 

Felizmente, o caso teve um desfecho positivo. Com o uso de antiparasitários, como albendazol e praziquantel, os parasitas no cérebro da paciente foram tratados, e, um mês depois, seus sintomas haviam desaparecido. Novos exames de imagem do cérebro mostraram que os cistos diminuíram e os pontos característicos tinham sumido.

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A neurocisticercose pode ser fatal. Isso porque, enquanto morrem, parasitas podem provocar inchaço no cérebro. Somado a isso, os cistos podem obstruir o fluxo do líquido cefalorraquidiano ao redor do cérebro, o que também pode causar convulsões.  

No mundo, 50 milhões de pessoas já foram infectadas pela tênia do porco ou pela tênia do boi (Taenia saginata). A de porco em específico ainda é considerada uma doença endêmica em áreas da América Central e da América do Sul, assim como em parte da África e da Ásia. 

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A infecção está geralmente associada a condições sanitárias precárias, higiene inadequada, defecação a céu aberto, presença de suínos criados soltos e a pobreza. Para todas as formas da doença, a melhor forma de prevenção consiste no cozimento completo da carne, boas práticas de higiene pessoal e saneamento básico adequado – além do controle na criação de animais, em ambientes controlados e higienizados. 

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