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Limitar horários de alimentação pode ajudar a evitar declínio cognitivo na velhice, diz estudo

Idosas que se alimentam entre 10 às 18 horas tiveram melhor desempenho em testes cognitivos, aponta estudo piloto.

Por Amanda Nascimento 27 jul 2026, 18h00 | Atualizado em 31 jul 2026, 16h09
Limitar horários de alimentação pode ajudar a evitar declínio cognitivo na velhice, diz estudo Priorizar nos meus resultados Google

As recomendações costumeiras para uma alimentação saudável – como “coma mais vegetais”, “corte os ultraprocessados” e “reduza o açúcar” – podem estar deixando de fora um componente chave. Isso porque um novo estudo piloto indica ser importante considerar o horário em que comemos. 

A descoberta sugere que comer entre 10h às 18h e evitar alimentos quatro horas antes de dormir pode ajudar a desacelerar o declínio cognitivo na terceira idade. Durante o ensaio clínico, mulheres idosas com sobrepeso que consumiram suas refeições em um período limitado de tempo tiveram melhor desempenho em testes cognitivos em comparação às que se alimentaram ao longo do dia. 

A professora Wendy Hall, do King’s College London, que não participou do estudo, disse ao

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The Guardian que o estudo é promissor. Ela ressalta, porém, que os achados são preliminares e é preciso esperar pela versão completa, revisada por pares, para determinar se quaisquer melhorias foram clinicamente significativas.

Há tempos pesquisadores estudam a relação entre estilo de vida e risco de demência. Ainda assim, são poucos os estudos que testaram se a mudança desses hábitos pode diretamente reduzir o risco de declínio cognitivo. Vale lembrar que, em 2024, uma pesquisa da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) revelou que 54% dos casos de demência na América Latina podem ser atribuídos a fatores de risco modificáveis, como estilo de vida e/ou tratamento médico. 

O Brasil tinha cerca de 2,5 milhões de pessoas vivendo com demência em 2025. Mundialmente, o número escalona para quase 57 milhões, espalhados principalmente entre países de baixa e média renda. Alguns fatores de risco são inevitáveis, como a idade e a genética. No entanto, condições como a obesidade na meia-idade podem aumentar em 30% o risco de desenvolver demência ao longo da vida. 

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“A alimentação com restrição de horário é uma abordagem plausível para favorecer a saúde cognitiva em adultos de meia-idade e idosos com sobrepeso, não apenas por auxiliar no controle de peso, mas também porque evitar refeições volumosas tarde da noite pode melhorar o controle glicêmico, a função vascular e os níveis de inflamação”, diz Hall. 

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Ensaio clínico 

47 mulheres, com idades entre 50 e 79 anos com sobrepeso, foram incentivadas a reduzir 500 calorias de sua dieta diária durante seis meses. Entre elas, 26 foram orientadas a se alimentar apenas em uma janela de nove horas. Enquanto isso, as demais voluntárias distribuíram suas refeições ao longo de 12 horas.

Ao final do estudo, ambos os grupos apresentaram uma perda de peso semelhante – uma média de cerca de 7 kg. A diferença esteve nos testes cognitivos: as mulheres que consumiram suas refeições em tempo limitado cometeram menos erros em testes de memória e aprendizado. 

Na verdade, perder peso, por si só, pode ajudar a retardar o declínio cognitivo na terceira idade. Mas os autores argumentam que a diferença entre os dois grupos é indicativa de que se atentar ao horário seria um benefício adicional à perda de peso. 

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Uma das autoras da pesquisa, a professora Sue Shapses, da Universidade Rutgers, em Nova Jersey (EUA), chamou os resultados de “modestos”. Agora, ela e seus colegas planejam investigar por que o horário das refeições seria importante. A resposta, teorizam, pode estar entre uma interação complexa de ritmos circadianos, metabolismo e inflamação.

É comum em muitos países que a alimentação ocorra durante um período de 14 horas, apesar de pesquisas indicarem benefícios claros para a saúde com o jejum noturno. Uma revisão publicada em janeiro, por exemplo, constatou que o hábito estava associado a melhorias significativas no peso corporal, no IMC, na circunferência da cintura, na pressão arterial e em marcadores de saúde metabólica.

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