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Não é pela cabeça que a gente perde mais calor

Esse mito nasceu de experiências furadas da década de 1950. Perde-se tanto calor pela cabeça quanto por qualquer outra parte do corpo

Tem muito manual de sobrevivência por aí que recomenda proteger a cabeça com um gorro ou coisa parecida em ambientes muito frios – afinal, é por ela que a gente perde de 40% a 45% do calor corporal. Ignore esses números, eles estão completamente furados. Segundo uma dupla da Universidade de Indiana, nos EUA, perde-se tanto calor pela cabeça quanto por qualquer outra parte do corpo.

Em um artigo publicado no British Medical Journal, os pesquisadores Reachel Vreeman e Aaron Carroll – especialistas em derrubar mitos da medicina – afirmam que a origem dessa lenda está em experiências furadas feitas por militares americanos na década de 1950. Nesses testes, voluntários foram vestidos com roupas de sobrevivência no Ártico e expostos a condições de frio extremo. Como a única área do corpo desprotegida era a cabeça, foi por ela que escapou a maior parte do calor.

A cabeça é uma das partes do corpo mais sensíveis a mudanças de temperatura, dizem Vreeman e Carroll. Na verdade, não só ela, mas outras extremidades, como as mãos e os pés. “São áreas com vascularização periférica muito mais rica, e é pelas veias superficiais que o calor de órgãos e músculos acaba sendo trocado com o ambiente”, explica o fisiologista Orlando Laitano, professor da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf). Em ambientes muito frios, porém, os vasos sanguíneos se contraem – justamente para evitar perda de calor excessiva.

Vem daí a sensação de que só é possível ficar confortável e realmente aquecido quando se usa um gorro. Mas o efeito de proteger a cabeça é o mesmo do de vestir luvas, calçar meias de lã ou agasalhar o tórax. De acordo com os pesquisadores da Universidade de Indiana, você não perderia mais do que 10% de calor pela cabeça nem que saísse pelado para um passeio na neve.

MICROCLIMA

Quando usamos agasalhos e colocamos um gorro na cabeça, criamos uma espécie de “microclima” quentinho entre o nosso corpo e o ambiente. Em vez de se dissipar, o calor que nosso próprio corpo produz esquenta o ar entre a pele e a roupa. É por isso que nos sentimos aquecidos.