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Nova Zelândia autoriza uso de MDMA para o tratamento do Transtorno do Estresse Pós-Traumático; entenda

O MDMA é a principal substância por trás do ecstasy. Como empatogênico, o composto tem o potencial de ajudar pacientes a se abrirem durante psicoterapias.

Por Diego Facundini 10 set 2026, 19h00
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Dois psiquiatras da Nova Zelândia foram autorizados a utilizar o MDMA – a principal substância química do ecstasy – para o tratamento de pacientes com casos severos do transtorno do estresse pós-traumático (TEPT).

Após um processo regulatório que durou mais de um ano, os psiquiatras Gary Wynn e Tom Paterson conquistaram o aval da Medsafe, a agência regulatória neozelandesa, para prescrever e administrar a substância 3,4-metilenodioximetanfetamina. Comum em festas e baladas, a droga MDMA é uma substância sintética psicoativa conhecida também como “Michael Douglas” e “bala”.

A decisão, publicada nessa sexta-feira (4), faz da Nova Zelândia o segundo país no mundo a aprovar o uso clínico do MDMA. O primeiro foi a Austrália, que desde 2023 permite que psiquiatras autorizados utilizem o MDMA para auxiliar o tratamento do TEPT.

“O MDMA pode ser muito eficaz no tratamento do TEPT por meio da terapia assistida por psicodélicos”, disse David Seymour, vice-primeiro-ministro da Nova Zelândia, em entrevista ao The Guardian. Segundo ele, a Nova Zelândia segue comprometida em garantir o acesso a “tratamentos inovadores”.

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O transtorno do estresse pós-traumático é uma condição de saúde mental causada pela exposição a eventos extremamente estressantes ou traumáticos, como atos de violência, desastres naturais, guerras ou episódios de abuso.

Uma das possíveis alternativas para o tratamento dessa condição é a terapia assistida por psicodélicos, que combina a psicoterapia tradicional com o uso supervisionado de substâncias alucinógenas classificadas como psicodélicas – como a psilocibina encontrada nos “cogumelos mágicos” e o LSD. Substâncias desse tipo possuem uma afinidade aos receptores de serotonina do cérebro, e podem atuar como simulacros da própria serotonina.

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O MDMA entra nessa classificação, ainda que seus efeitos psicodélicos (como as alucinações) não sejam tão pronunciados. Por isso, pesquisas recentes têm sondado o MDMA como um possível medicamento auxiliar para o tratamento do TEPT. O maior estudo clínico já feito sobre a substância foi publicado em 2023 no periódico Nature Medicine, com resultados promissores. No estudo, pacientes com TEPT que utilizaram o MDMA apresentaram uma redução significativamente maior de seus sintomas em comparação aos pacientes que utilizaram apenas um placebo.

A vantagem do MDMA, segundo o psiquiatra Gary Wynn, é que ela serve como uma substância empatogênica – um tipo de substância psicoativa que pode estimular sentimentos de empatia ou ajudar um paciente a se abrir durante uma conversa.

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“Na terapia, isso realmente permite que alguém que passou por um trauma se conecte com seu terapeuta, sinta-se seguro e se dedique ao trabalho pesado de lidar com os traumas que vivenciou ao longo da vida, em um ambiente muito mais seguro, facilitado pela droga”, disse Wynn à Radio New Zealand.

“A mesma coisa acontece ao longo de muitos anos de terapia”, afirma. “É possível chegar a esse ponto depois de muitos anos. Esse tipo de tratamento acelera esse processo para um período muito curto de tempo, por causa do efeito da droga”.

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O tratamento com MDMA é feito exclusivamente dentro de clínicas autorizadas. De acordo com Wynn, são administrados entre 120 e 160 miligramas da substância por sessão – algo próximo das quantidades geralmente usadas durante o uso recreativo. No entanto, vale salientar que o MDMA usado em contextos médicos difere muito da droga usada nas festas, que, em geral, vem misturada com outras anfetaminas.

Além do MDMA, outros psicodélicos têm ganhado destaque por conta de seus possíveis benefícios medicinais. Com destaque, no ano passado, a Nova Zelândia também autorizou o uso da psilocibina, o princípio ativo dos cogumelos mágicos, para o tratamento da depressão resistente a medicamentos.

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