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Pela primeira vez, um medicamento mostra eficácia na prevenção da Covid-19

O Ensitrelvir é o primeiro antiviral capaz de reduzir as chances da doença aparecer entre pessoas expostas ao vírus, revelou um novo estudo.

Por Bruno Carbinatto 15 Maio 2026, 18h00
Pela primeira vez, um medicamento mostra eficácia na prevenção da Covid-19 Priorizar nos meus resultados Google

Seis anos depois das primeiras manchetes sobre a Covid-19, um medicamento finalmente se mostrou eficaz em prevenir o surgimento da doença entre pessoas expostas ao vírus. Dessa forma, ele se torna o primeiro antiviral com efeito profilático comprovado contra o Sars-Cov-2.

Embora os lockdowns e os picos da pandemia tenham ficado no passado, a droga pode ser uma medida de proteção adicional para populações ainda vulneráveis ao vírus, como idosos com comorbidades, profissionais de saúde e pessoas imunossuprimidas.

O medicamento em questão é o Ensitrelvir, produzido pela farmacêutica japonesa Shionogi. Ela foi aprovada para tratar a Covid-19 no Japão em 2022, e outras agências regulatórias ao redor do mundo ainda analisam possíveis liberações de seu uso. O antiviral funciona bloqueando a ação da protease, uma enzima essencial para o coronavírus se replicar.

O problema é que ensaios clínicos nos últimos anos não mostraram eficácia significativa do remédio na redução de sintomas ou progressão da doença, de modo que ele virou coadjuvante durante a pandemia.

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Agora, um novo estudo testou a droga de outra forma: como profilaxia pós-exposição (PEP). Ou seja, cientistas verificaram se o medicamento, ao ser utilizado rapidamente, consegue impedir o aparecimento dos sintomas em pessoas que foram expostas ao vírus.

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A pesquisa envolveu mais de 2 mil casos de indivíduos que foram expostos ao vírus porque moravam com outras pessoas infectadas. Em até 72 horas, esses pacientes tomavam, de forma aleatória, o medicamento ou um placebo, sem saber qual pílula estava ingerindo.

Entre quem tomava placebo, 9% desenvolveram sintomas de Covid-19. Já no grupo do Ensitrelvir, apenas 2,9% dos participantes ficaram sintomáticos. Isso significa que, de fato, o medicamento reduz as chances de desenvolver a doença entre quem teve contato com infectados.

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Não foram registrados efeitos colaterais graves, mas alguns pacientes que tomaram a medicação tiveram uma redução temporária e reversível dos níveis de HDL (o “colesterol bom”) no sangue, além do aumento dos triglicerídeos. O quadro, no entanto, cessou após duas semanas. 

O sucesso do Ensitrelvir vem após uma série de fracassos de outros medicamentos testados como profiláticos para a Covid-19. O caso mais célebre é do antiviral Paxlovid, que se mostrou promissor no começo da pandemia, mas que não demonstrou eficácia considerável em reduzir as chances de contrair a doença após a exposição ao vírus. 

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No Japão, onde o novo medicamento é vendido sob o nome comercial de Xocova, as autoridades de saúde já recomendam seu uso como profilático para casos específicos. Mundo afora, agências sanitárias ainda avaliam sua liberação. Nos EUA, uma decisão deve ser tomada até junho deste ano.

Embora a maioria das pessoas atualmente tenham desenvolvido imunidade contra o Sars-Cov-2, por infecções passadas ou (principalmente) por causa das vacinas, algumas populações específicas ainda estão vulneráveis ao vírus, como idosos. As máscaras e o álcool em gel podem ter ficado no passado, mas a doença não desapareceu: em 2025, ela causou 1,7 mil óbitos no Brasil.

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A pesquisa foi feita por uma colaboração de cientistas americanos, japoneses e britânicos e publicada no periódico New England Journal of Medicine. O estudo ocorreu entre junho de 2023 e setembro de 2024, com voluntários dos EUA, Argentina, Japão, África do Sul e Vietnã.

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