Clique e assine a partir de 8,90/mês

Policiais desenvolvem resposta hormonal bizarra ao estresse

Estudo relacionou a rotina traumática a um desequilíbrio hormonal - e elencou as 5 situações mais estressantes no dia a dia de um policial

Por Ana Carolina Leonardi - Atualizado em 7 fev 2017, 20h31 - Publicado em 7 fev 2017, 19h29

Trabalhar na linha de frente da segurança pública tem efeitos diretos na forma como o corpo responde ao estresse, segundo um estudo da Universidade de Buffalo. A pesquisa avaliou os níveis de cortisol na saliva de policiais estressados – e notaram um padrão bem diferente (e mais prejudicial) que o normal.

Primeiro, eles dividiram os policiais entre muito estressados e pouco estressados. Para isso, tiveram que criar um “Índice de Estresse Policial” que também revelou um ranking dos eventos que policiais consideram mais perturbadores no dia a dia.

Eleita como a pior situação no trabalho foi ver uma criança seriamente agredida ou morta. Ficou na frente de tirar a vida de alguém e perder um colega em serviço.

Ranking de trauma

Continua após a publicidade
  1. Criança agredida ou sem vida
  2. Matar em serviço
  3. Ver colega ser morto em serviço
  4. Ter que usar a força contra alguém
  5. Ser atacado por alguém

A pesquisa, feita com 366 oficiais, também mostrou que policiais de Buffalo enfrentam umas dessas 5 situações mais de 2 vezes ao mês.

De acordo com a frequência com que viviam estas situações perturbadoras, eles foram divididos em três grupos, de baixa, média e alta exposição a estressores.

Hormônio descompensado

Depois, os pesquisadores avaliaram a quantidade de cortisol presente na saliva dos policiais logo depois de acordarem. O cortisol é conhecido como hormônio do estresse, porque seus níveis sobem quando estamos frente a uma situação ameaçadora. Mas ele regula várias outras funções no corpo, como os batimentos cardíacos, a pressão, algumas respostas imunológicas e até o nível de açúcar no sangue.

Continua após a publicidade

Quando você acorda, seus níveis de cortisol sobem, para dar aquele impulso de ânimo no início do dia. Um aumento acentuado acontece nos primeiros trinta minutos e os níveis continuam a crescer regularmente na primeira hora que você passa acordado.

Nos policiais com média e alta exposição a eventos traumáticos, esse gráfico era muito diferente da parábola normal. O cortisol teve um crescimento muito menor que o normal na primeira meia hora. Logo depois, já estava caindo. Nada do pico de ignição ao acordar.

_wp_super_cortisol1
ArteSUPER

Segundo um dos autores do estudo, essa é uma reação comum à exposição constante a estresse intenso. “O que acontece é que, para pessoas sob muito estresse, o cortisol para de se ajustar naturalmente e se estabiliza. Em alguns casos, ele fica muito baixo. Em outros, ele sobe e fica constantemente alto”, explica o pesquisador John Violanti.

Essa sobrecarga pode fatigar o mecanismo de produção do cortisol. É tanto estresse que o corpo simplesmente para de dar picos do hormônio – seria pico demais, o tempo inteiro. O problema é que o desequilíbrio é bastante prejudicial à saúde. Aumenta a chance de doença cardiovascular, atrapalha o sono e o sistema imunológico, causa hipoglicemia e até aquela sensação de lentidão mental e cérebro anuviado – todos extremamente arriscados para uma profissão que exige alerta constante.

Publicidade