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Proteína deformada ataca o cérebro da vaca

O que é a doença da vaca louca?

Ela pode ser transmitida para o homem?

É um mal que atinge o cérebro do animal provocando dificuldade de locomoção e agressividade. O causador é um tipo deficiente de proteína chamada príon. Ao contrário das suas irmãs que formam enzimas ou têm funções estruturais, ela nasceu defeituosa e se liga às proteínas existentes nos neurônios, tornando-as deficientes. Pior que isso, o príon defeituoso altera a seqüência do DNA no núcleo do neurônio que comanda a fabricação das proteínas, fazendo com que elas saiam de fábrica deformadas (veja infográfico). Com as proteínas ineficientes, o cérebro se enche de furos.

Ainda não se sabe se a doença pode contaminar também o ser humano que come a carne de animais doentes. Acredita-se que por volta de 1985 o gado inglês foi contaminado ao ingerir ração feita com carcaças de carneiros portadores de um mal chamado scrapie, causado por príons. Isso mostra que a doença pode passar de uma espécie para outra. Nos últimos dois anos, apareceram na Inglaterra vários casos de jovens afetados pela síndrome de Creutzfeldt-Jakob, cujos sintomas são iguais aos da doença da vaca louca. Como a síndrome atingia antes só idosos, pesquisadores tentam descobrir se é o consumo da carne de vacas infectadas pelo príon que está transmitindo a doença. Não há nada provado. “Se compararmos o scrapie com a doença bovina, existem sete pontos de diferença”, diz a veterinária Eliana Roxo, do Instituto Biológico, em São Paulo. “Mas ao comparar a bovina com a humana, há trinta pontos”. Já o bioquímico Isaias Raw, diretor do Instituto Butantan, em São Paulo, acha impossível o contágio. “A transmissão para o homem só ocorre se ele consumir partes do sistema nervoso de outro humano contaminado, ou hormônios extraídos dele”, diz. “A síndrome é uma mutação das proteínas do próprio organismo”, conclui.

Como age o predador

Proteína defeituosa consegue estragar a matriz das proteínas futuras.

O príon deformado modifica as proteínas do neurônio e entra no núcleo alterando o código no DNA que manda fabricá-las.

O DNA, então, passa a dar ordens para a fabricação de proteínas mal formadas.

Entre seis meses e um ano os príons com problema serão maioria no cérebro.