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Superatleta

Heitor Amílcar, com Nira Worcman, de Atlanta

A parafernália tecnológica usada na preparação dos esportistas, nos equipamentos que eles usam e na arquitetura dos estádios promete bater recordes nos centésimos Jogos Olímpicos, em Atlanta. Veja como esse aparato torna os atletas de hoje super e, de quebra, ganhe um guia de 19 páginas para acompanhar e entender 22 esportes das Olimpíadas.

Quando o americano Tom Burke calçou um par de sapatilhas com pregos nas solas e se acocorou para a largada na corrida dos 400 metros nas primeiras Olimpíadas da era moderna, em 1896, em Atenas, Grécia, seus adversários, que estavam em pé, olharam desconfiados. Mas Burke levou o ouro e sua postura e sapatilhas viraram regra. Era inegável que elas garantiam maior impulso na largada e estabilidade no resto da prova.

Pode-se dizer que o americano inventou a tecnologia esportiva, que desde então vem assumindo cada vez maior importância. No centro dos principais avanços dos últimos tempos está a informática. Ela se aliou à medicina e à biomecânica (estudo da mecânica das atividades biológicas, em especial as musculares) para programar o treinamento do atleta, acompanhar o seu estado físico e desenvolver equipamentos que, de tão perfeitos, parecem extensões de seu corpo.

Por mais que pareça absurdo, sob a ótica da alta tecnologia ainda se está longe dos limites para os recordes olímpicos.

Essa certeza injeta muito dinheiro na área esportiva. Só nos Estados Unidos, o setor movimentou no ano passado 50 bilhões de dólares. Como parte considerável desses recursos é canalizada para novas pesquisas, o que se pode concluir é que as emoções das olimpíadas estarão garantidas por mais um bom tempo.

Em busca de ganhos mínimos

Foi-se a época em que treinador só cuidava de exercício físico. O treinador de hoje precisa ajudar o atleta a equilibrar preparo muscular, metabólico e psicológico. Isso porque ele está atrás de ganhos mínimos. Para se ter uma idéia, a diferença média entre o ouro e a prata em 1992, em Barcelona, nas modalidades que dependiam de tempo, foi de pouco mais do que dois décimos de segundo. Além disso, a alta competitividade muda o perfil físico dos esportistas. A chance de se encontrar na população uma moça com a altura média da seleção brasileira de vôlei feminino (1,86 metro) é de 0,004%. Dificilmente uma jogadora de 1980 (1,70 metro, em média) conseguiria uma vaga nos Jogos de 1996. Trata-se portanto de melhorar o que já é bom.

Para isso é preciso aproveitar ao máximo a energia do corpo, que provém de uma molécula chamada ATP, presente nas células. Mas o ATP em estoque não rende mais do que 2 segundos de esforço. Para produzi-lo, as células usam a glicose acumulada no sangue e nos músculos (sistema anaeróbico) ou decompõem gorduras, carboidratos e proteínas, num processo chamado aeróbico, porque depende da presença de oxigênio (veja A ciência constrói atletas, número 3, ano 5). O treinamento hoje leva em conta as demandas de cada esporte por este ou aquele sistema. O corredor de longo percurso precisa mais do aeróbico, o levantador de peso, do anaeróbico. Laboratórios pesquisam a capacidade de absorção de oxigênio, o uso dos músculos e outros indicadores físicos dos atletas.

Mas isso não é suficiente. Em agosto de 1995, depois das partidas da Liga Mundial de Vôlei Masculino, a seleção brasileira estava tão saturada de jogo que foi deixada por duas semanas com atividades sem bola. A dica havia sido dada pelo atendimento psicológico.

A psicologia também ajudou a vice-campeã de tiro dos Estados Unidos, Tammy Forster. Tammy aprendeu a mentalizar os movimentos, para realizá-los com calma. Gasta mais tempo, mas isso não faz diferença na sua modalidade. Os psicólogos equiparam ainda seu rifle com um lase

Testando os genes dos vencedores

Que os genes interferem na performance de um atleta é quase certo. Até porque, dependendo do esporte, determinadas características físicas são essenciais. Veja o caso do basquete. Nem que se esforçasse como louco, um baixinho teria chances de competir hoje em dia. Além disso, não são incomuns os casos de famílias que se dedicam ao longo de gerações a uma mesma modalidade esportiva. O médico Marcel Bouley, do Laboratório de Ciências da Atividade Física da Universidade de Laval, em Quebec, Canadá, disse à SUPER que há dez anos a instituição tenta determinar a configuração genética do superatleta. Os resultados das pesquisas devem começar a aparecer em dez ou quinze anos. “É um trabalho demorado, pois depende da seleção de atletas e da análise de todos os genes do DNA deles.”

Quando Bouley concluir seus estudos, é provável que se possam testar crianças para identificar potenciais atletas. Quanto ao risco do uso da tecnologia por uma eventual sociedade totalitária, o médico desconversa. “Só é possível julgar nossas pesquisas com o conhecimento que temos do presente e não com a previsão do que venha a ser o futuro.” Enquanto isso, a medicina, além de fazer testes físicos para selecionar futuros atletas, se contenta em cuidar da nutrição, hidratação e acompanhamento dos esportistas. O que não é pouco.

Acessórios muito especiais

É possível que grandes atletas, com talento nato e aprimorado por treinamentos espetaculares, não pudessem contar com aquele centésimo de segundo a mais se não tivessem à disposição certos equipamentos. Estamos falando de bicicletas aerodinâmicas, de tecidos que aceleram a evaporação do suor, de calçados que compensam defeitos estruturais no pisar de um corredor.

Em muitos casos, os apetrechos são desenvolvidos sob medida. A arma leva em conta a empunhadura, o capacete é moldado na cabeça, a vara para o salto em altura é feita de modo a suportar e impulsionar o peso específico de seu dono. Este último caso é exemplar. As primeiras varas de salto praticamente não envergavam, o que dificultava o impulso dos saltadores. Hoje, elas se assemelham a catapultas. O impacto da mudança pode ser facilmente notado nos recordes da modalidade. Os 3,30 metros obtidos em 1896 pularam para os 6,14 metros de Sergei Bubka em 1984, ainda não superados.

Não se sabe o quanto as performances atuais devem à evolução do equipamento. A comparação entre os resultados obtidos por cavalos e homens ao longo deste século (veja quadro ao lado), mostra que o ser humano não pára de se superar, enquanto o quadrúpede parece ter atingido um limite. Algo mais além de treino deve estar influenciando esses recordes.

O palco favorece a performance

Os investimentos para os 26º Jogos da era moderna bateram nos 2 bilhões de dólares. Boa parte gasta na melhoria e construção da arena olímpica, onde quase 11 000 atletas batalharão 1 838 medalhas, 604 de ouro. Claro que não tem para todos. E a arquitetura das instalações vai colaborar para tornar a disputa ainda mais emocionante.

Desenhos e materiais retirarão os entraves para que o atleta atinja seu rendimento pleno. No Georgia Tech Aquatic Center, a forma como as piscinas foram desenhadas promete quebras de recordes. Entre outros melhoramentos, uma calha nas bordas, três vezes mais profunda do que o usual, vai conter a turbulência provocada pelos nadadores na água. “Como sofrerá menos resistência”, diz Joe Hunsaker, presidente da empresa que projetou as piscinas, “o competidor poderá nadar mais rápido”.

Nas corridas, pistas especiais também farão sua parte, proporcionando maior impulso aos competidores. E até ventiladores para cavalos foram instalados. O hipista não poderá jogar a culpa de um mau resultado no desgaste que o calor provoca nos animais. Mas, se a chance de superar as marcas é grande, também o controle dos resultados será. Uma espécie de robô vai garantir que os ciclistas larguem no mesmo instante e fotos em cores estarão à disposição dos juízes para resolver eventuais empates.

Tecnologia dá banho até fora das quadras

O aparato tecnológico envolvido na segurança das Olimpíadas de Atlanta é tamanho que permitiu diminuir o número de agentes em ação para cerca da metade dos 45 000 convocados em Barcelona. Tudo será informatizado. Centenas de câmaras com campo de visão de 360 graus e controladas por computador foram instaladas. Os cerca de 150 000 credenciados usarão um crachá com todas as informações, inclusive fotografia, impressas diretamente no plástico, o que dificulta a falsificação. Cerca de 40 000 deles deverão portar também outro crachá, com informações geográficas de sua mão (veja infográfico ao lado).

E se você for assistir aos Jogos de casa, também será beneficiado com a informática. Várias provas contarão com inovações que fornecerão aos espectadores e atletas informações preciosas. Corredores, bicicletas e barcos portarão chips que vão registrar constantemente a posição do competidor. Feixes de luz medirão cada etapa do salto triplo e darão o alcance real do salto em altura. No basquete, será cronometrado o tempo que o jogador fica no ar na hora da cesta. No vôlei, um radar vai detectar a velocidade das cortadas. No remo, acelerômetros vão contar as remadas por minuto. Todas essas informações chegarão às emissoras de TV em exatamente 300 milissegundos, algo como um piscar de olhos.

PARA SABER MAIS

De Atenas a Atlanta 100 anos de Olimpíadas, Maurício Cardoso, Scritta, São Paulo, 1996.

Olimpíada 100 anos, Sílvio Lancellotti, Best Seller/Círculo do Livro, São Paulo, 1996.

Olympic Gold, CD-ROM da SEA Multiedia, telefone 001 317 579 0040.

NA INTERNET

Atlanta Olympics 1996, http://www.atlanta.olympic.org

Check-up indica treino sob medida

A ciclista Adriana Nascimento, campeã brasileira de cross-country (foto), passa por uma avaliação física completa no Centro de Medicina da Atividade Física e do Esporte, da Universidade Federal de São Paulo, antes de iniciar nova fase de treinamento. São medidos seu consumo de oxigênio e freqüência cardíaca, e avaliados todos os indicadores fisiológicos de performance. Os dados vão compor um relatório médico, que o treinador transformará em metodologia de treino e exercícios.

Dois segundos e meio passo a passo

Como o computador ajudou o salto triplo.

A informática se uniu à biomecânica no estudo da técnica do salto triplo. O pessoal do Laboratório de Sistemas Integráveis da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo comparou, no computador, imagens dos saltos do americano Mike Conley e do brasileiro Anísio Silva, que vão competir em Atlanta. O resultado você vê ao lado. A observação das diferenças serviu para orientar o brasileiro, em especial para aprimorar o segundo salto, o que mais pesa no resultado total. Conley tem aí 2% a mais de aproveitamento. Pode ser a diferença para a medalha.

1 – Anísio Silva (Brasil): 16,95 m

2 – Mike Conley (EUA): 17,20 m

O perfil dos campeões

Um time desmotivado pede um “colérico”. Um descontrolado requer um tipo “fleumático”. O “sangüíneo” é um grande capitão e o melancólico não tem vez no esporte de alta competitividade. Em começo de carreira, o perfil psicológico pode ser fundamental para a escolha da modalidade e da posição para um atleta. Mas a psicologia também desenvolve técnicas de treinamento. Hoje, óculos especiais com sons e imagens para relaxar e prática de mentalização para visualizar as jogadas fazem parte dos treinos.

Estatística e espionagem

Se não estiver na quadra, munida de lap-top, anotando tudo quanto é dado sobre jogadas, pontos e erros da seleção brasileira de vôlei masculino, a estatística Sandra Caldeira (foto) pode estar espionando algum adversário com uma câmera de vídeo. O resultado de seu trabalho são preciosos gráficos que influem no treinamento da equipe. Durante o jogo, ela passa todo o tempo abastecendo o técnico de informações que não raro definem substituições de jogadores e até mesmo ajustes na tática adotada para aquela partida.

Tática química

A tecnologia avança na área do doping. A cada dia surgem novas drogas que turbinam os atletas. Para detectá-las, fazem-se exames da urina. A análise do sangue poderia encontrar ainda mais substâncias, mas não se saberia se são naturais, por isso, não será feita em Atlanta. Para compensar, as máquinas que analisarão a urina são cinco vezes mais eficientes do que as adotadas em Barcelona. Elas poderão identificar anabolizantes usados até seis meses antes do exame. Na foto acima, Jair Cardoso da Nóbrega, do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro, analisa amostras numa dessas máquinas

O ritmo que garante a medalha

Se você notar um maratonista olhando o pulso, não conclua logo que ele está preocupado com o tempo. É mais provável que confira sua freqüência cardíaca, emitida por ondas de rádio de uma fita sensora presa no peito. O aparelho também é usado no treinamento, e os dados são descarregados no computador, gerando avaliações de rendimento (veja fotos abaixo). Assim, o corredor já conhece o nível ideal de batimento para sua performance máxima e pode ir ajustando o ritmo de seus passos.

Cenas de um casamento

“É um lindo casamento”, afirma o médico Victor Matsudo, do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano, em São Paulo. Ele se refere à união das jogadoras de basquete Hortência e Paula. Matsudo é um dos inventores da estratégia Z, modelo desenvolvido para detectar talentos esportivos e que também tem servido para explicar por que certos atletas “combinam” na quadra. Repare como as duas se destacam da média da população (o nível zero). A chance de encontrar uma moça com a potência de pernas da Hortência é de 0, 00000001%. E onde ela não é tão excepcional, Paula se destaca. Apenas 0,00001% das brasileiras têm um fôlego igual ao dela.

Salto tecnológico

O projeto da vara usada pelo ucraniano Sergei Bubka (acima à esquerda) é segredo de Estado. Feita com fibra de carbono, o material que substituiu as fibras de grafite e de vidro, sabe-se que ela traz especificações exigidas pelo saltador. Em pontos determinados, conta com densidade maior ou menor do que no conjunto, de modo a garantir uma mecânica toda particular de impulsão. Bem diferente da vara rígida usada em 1924 (acima à direita).

Via expressa para o suor

Uma fibra de poliéster, o coolmax, produz tecidos que, por facilitar a evaporação do suor, aumentam em apenas 8% a temperatura do corpo em atividade atlética contra os 22% de aquecimento provocados pelo algodão. Meias feitas com esses materiais evitam 70% das bolhas geradas por atividades intensivas.

A superbicicleta

Os Estados Unidos vão estrear em Atlanta as Superbike II, bicicletas feitas sob medida para seus ciclistas.

Os americanos gastaram 1 milhão de dólares e quatro anos para desenvolver a bicicleta que vão usar nas provas de equipe do ciclismo. Foram produzidos apenas doze exemplares. Elas são feitas de fibra de carvão, material muito leve, e sua forma aerodinâmica promete reduzir em 15% o atrito do vento.

De olho no placar

Pela primeira vez na história das Olimpíadas o registro fotográfico das chegadas das provas de atletismo será colorido (foto ao lado). Esse sistema eletrônico teve sua estréia no México, em 1968. A foto em preto e branco, mostra a final masculina dos 100 metros rasos daquele ano. Em Atlanta, como as imagens tiradas com a câmera HawkEye são digitalizadas, suas cores e contrastes podem ser ajustados, oferecendo ainda mais recursos de análise aos juízes.

Pista impulsiona o corredor

Um subtapete de borracha macia pode facilitar a quebra de recordes.

1 – A borracha vulcanizada dos primeiros 6 milímetros é densa, para resistir aos cravos das sapatilhas e às mudanças de clima.

2- Mais macia, a segunda camada de borracha absorve o impacto do atleta e ajuda a impulsioná-lo.

3 – Piche

4 – Pedras

5 – Solo nivelado

6 – Solo

Largada robotizada

As rodas traseiras das bicicletas vão ficar presas nestes robôs da foto à esquerda na hora da largada. Como as sapatilhas dos atletas são fixas no pedal, antes era preciso que cada bicicleta fosse retida por uma pessoa enquanto esperava o sinal de partir. Os “iniciadores robóticos” a serem estreados em Atlanta prenderão as bicicletas e, no disparo de saída, soltarão todas automaticamente e ao mesmo tempo.

Frescor eqüino

Noventa ventiladores de 91,5 centímetros de diâmetro, com borrifadores de água acoplados, vão aliviar o calor dos animais nas provas eqüestres (foto abaixo). Kent Allen, veterinário responsável pelo bem-estar dos cavalos nos Jogos, disse à SUPER que o sistema vai reduzir a temperatura entre 7 e 20 graus centígrados, criando microclimas em dois pontos de parada durante as competições.

Informação rápida e rasteira

Um chip de 2 gramas vai brilhar na maratona, em Atlanta. Ele será amarrado no tênis dos corredores e a cada 5 quilômetros se comunicará com uma antena de rádio que vai cruzar a pista, fornecendo a ela o código do atleta que passa. O dado segue, via modem, para a Central de Resultados e esta o envia da mesma forma ao centro responsável pela distribuição de imagens. Em 300 milissegundos a informação estará em sua casa.

Árvore-antena

O uso de celulares em Atlanta deve crescer 800% durante os Jogos. Por isso, foram instaladas estações móveis e torres retransmissoras. Essa “árvore” ao lado é uma delas.

Homenagem aos deuses não admitia mulheres

Grécia antiga

Baixos-relevos da Grécia pré-clássica e de templos egípcios dão conta da prática esportiva desde 1500 a.C. Nas cidades-estado gregas, as guerras eram suspensas para a realização dos Jogos, em homenagem aos deuses (veja pintura). Mas oficialmente as Olímpiadas só existem desde 776 a.C. Em 393 o imperador romano Teodósio I as proibiu, por considerá-las cerimônia pagã.

Retomada

Em 1896, na Grécia, Pierre de Fredy, o barão de Coubertin, revive a tradição grega dos Jogos Olímpicos na era moderna para unir os povos. Os novos Jogos também marcam a evolução na tecnologia esportiva. O corredor americanoTom Burke (foto) cria nova técnica ao largar agachado e adotar uma sapatilha com pregos nas solas. Leva o ouro nos 100 e nos 400 metros.

Doping legal

Na maratona de 1904, nos Estados Unidos, ocorre a primeira vitória à custa de doping. A 10 quilômetros do final, o americano Thomas Hicks (foto) estava tão cansado que queria parar. Dois auxiliares lhe deram clara de ovo com pequena dose de estricnina. A droga amorteceu as dores e as reações de Hicks. Quase inconsciente, ele conseguiu vencer.

Mulheres na raia

Em 1912, na Suécia, 57 mulheres dão início à participação feminina nas Olimpíadas, contra a vontade do barão de Coubertin. Elas disputam no tênis (foto) e na natação. Em 1928 chegam ao atletismo. Em Atlanta 3 700 mulheres estarão concorrendo, 600 a mais do que em Barcelona. Pela primeira vez elas serão vistas no salto triplo e no futebol.

A medicina corre pela precisão

O quadro nutricional dos atletas é analisado por programas de computador. Eles avaliam as carências e sugerem um programa alimentar. Os médicos do esporte os usam associados a outras técnicas, como a tomografia computadorizada, que determina até o tipo de fibra muscular predominante num corpo. Esses exames ajudam a definir a modalidade em que um esportista se dará melhor ou a aprimorar seu desempenho. Já adotada por muitos, a medicina ortomolecular, por sua vez, se propõe a equilibrar as moléculas do organismo. Usa doses bem altas de vitamina C e E para neutralizar os radicais livres.

Cobre: combate os radicais livres.

Betacaroteno: recupera os tecidos.

Vitamina C: combate os radicais livres e aumenta a resistência.

Ferro: ajuda na captura de oxigêmio

Suplementos inteligentes

Cápsulas e beberagens são feitas sob medida para o atleta.

Comprimidos montados em camadas (à esquerda) evitam a absorção simultânea de elementos incompatíveis. Digerido em conjunto, o ferro, por exemplo, diminuiria a ação do cobre. E para recompor as perdas de minerais, especialmente em corridas de fundo, também são feitas soluções hidratantes especiais (à direita).

Vitaminas e sais minerais (0,5%): aumentam a absorção de água e glicose.

Carboidratos (6,5%): mantêm alta a taxa de glicose.

Aminoácidos (3%): diminuem a fadiga.

Água (90%): para repor a perda do suor.

O Brasil chega lá e a ideologia interfere nos Jogos

A estréia do Brasil

Vários símbolos são introduzidos em 1920, na Bélgica. O lema Citius, altius, fortius (mais rápido, mais alto, mais forte, em latim), o juramento segundo o qual mais importante que vencer é competir, e a bandeira com os cinco anéis, representando os continentes e o congraçamento dos atletas. O Brasil estréia e o atirador Guilherme Paraense (foto) leva o ouro.

Maratona oficial

Na França, em 1924 (foto), a maratona tem sua extensão oficializada: 42 125 quilômetros, contra os 40 até então em vigor. A origem da prova está em 490 a.C. Para anunciar a vitória dos gregos sobre os persas na Batalha da Planície de Maratona, o soldado Feidípedes corre até Atenas. Após conseguir dar a notícia, cai morto pelo cansaço.

Contra o tempo

O desenvolvimento do relógio mecânico, inventado no século XIII, chega ao cronômetro de precisão de um décimo de segundo (foto), adotado em 1932, nos EUA. Os atletas deixam de disputar entre si e se lançam na corrida contra o tempo. A palavra inglesa record (registro) perde o sentido original para significar a busca pela superação do limite.

Nos bigodes de Hitler

O negro americano Jesse Owens (foto) conquista quatro medalhas de ouro nos Jogos de Berlim, Alemanha, em 1936. Hitler retira-se do estádio recusando-se a cumprimentá-lo. Tem início a fase ideológica dos Jogos, que chega ao auge na Guerra Fria. Pela primeira vez é usada a pira olímpica, que fica acesa até o fim do evento.

Novas tecnologias mudam a cara dos esportes

Sem dúvidas

Em 1948, em Londres (foto), pela primeira vez as chegadas das provas de corrida têm registro fotográfico. A imagem ajuda os juízes a tirar dúvidas. Os corredores começam a usar o bloco de largada, dispositivo criado em 1927 pelo americano George Bresnahan, no qual o corredor apóia os pés para obter maior impulso.

Mais precisão

O quartzo, com precisão de centésimo de segundo, é integrado à cronometria olímpica na Finlândia, em 1952, quando os russos tiveram sua primeira participação. Surge uma maiores figuras atléticas de todos os tempos, o tcheco Emil Zátopeck (foto). Ele levou o ouro nos 5 000 e nos 10 000 metros rasos, além de vencer a maratona.

Injustiça

A eletrônica começa a ser usada em Olimpíadas em 1964, no Japão. Os cronômetros registram quebra histórica dos 10 segundos nos 100 metros rasos pelo americano Bob Hayes (foto): 9,9 segundos. Incrédula com o feito, e talvez por não confiar nos relógios, a Federação Internacional de Atletismo Amador preferiu homologar o tempo como 10 segundos.

Salto alto

O americano Richard Fosbury (foto) ganha o ouro no México, em 1968, com uma inovação: passa pela barra do salto em altura com a cabeça antes do corpo. Até então, jogavam-se as pernas em primeiro lugar. Nesses Jogos começam a valer as normas do Comitê Olímpico Internacional para coibir o doping.

Sapatilha high-tech

Palmilha eletrônica fotografa o pisar do atleta.

A sapatilha do corredor americano Carl Lewis, que disputa quatro modalidades em Atlanta, certamente o ajudará a ganhar centésimos de segundos decisivos. Ela foi feita com base numa palmilha com terminações eletrônicas que mede a pressão exercida no pé pelo movimento natural. A partir da projeção tridimensional gerada pelo computador, é possível avaliar se a pressão do corpo está bem distribuída pelos dois pés e confeccionar um calçado que compense eventuais falhas na passada.

Terror, política e dinheiro na mira dos Jogos

Atentado

Em Munique, 1972, um atentado mancha de modo trágico a história das Olimpíadas. Terroristas árabes da organização Setembro Negro (foto) invadem a Vila Olímpica e matam 11 atletas israelenses. No aspecto tecnológico, estréia nas provas de atletismo um sistema eletrônico para medir lançamentos e saltos em distância.

Sem capitalistas

A ingerência da política atinge o auge nos Jogos de Moscou (na foto, o mascote), em 1980. Em repúdio à invasão soviética ao Afeganistão, o presidente americano Jimmy Carter lidera um boicote de 64 países às competições. O Brasil não adere e traz duas medalhas de ouro no iatismo e duas de bronze, no salto triplo e no 4 x 200 metros da natação.

Sem comunistas

Em 1984 veio o troco da União Soviética, que liderou o boicote de quinze países do bloco socialista e seus simpatizantes às olimpíadas de Los Angeles, nos EUA (na foto, o mascote). Ficam de fora os grandes atletas da Alemanha Oriental, Bulgária, Cuba e Tchecoslováquia. Sem concorrentes que lhes fizessem frente, os EUA abocanham 160 medalhas

Jogos de resultados

Em Seul, Coréia do Sul, em 1988, o referencial esportivo já não é a nação nem o regime. O marketing torna-se o fator dominante. A indústria do esporte quer resultados. De mídia, de vendas e atléticos. O doping do corredor jamaicano naturalizado canadense Ben Johnson (foto) entristece a torcida. Johnson é afastado por dois anos das competições.

Sem entraves

As piscinas de Atlanta foram projetadas de modo a banir tudo o que possa atrapalhar a performance dos nadadores e mergulhadores.

Calmaria

Uma calha de 60 centímetros de profundidade nas bordas 1 recolhe as ondas provocadas pelos nadadores. A água é devolvida por 100 microorifícios 2 no fundo. Pequenas tampas espalham o fluxo por 360 graus, prevenindo turbulências.

Colchão de bolhas

Nos treinos, um compressor 1 injeta ar num dispositivo no fundo da piscina 2. As bolhas sobem e formam uma almofada 3 que amortece a queda do mergulhador de salto ornamental (cerca de 50 quilômetros por hora).

O segurança vai pedir o crachá

Veja como funciona o leitor de mão.

1 O credenciado terá um cartão no qual serão gravadas informações sobre a geografia de sua mão direita.

Na entrada da Vila Olímpica, ele passa o cartão na máquina. 2 Retirado o cartão, ele posiciona a mão, com os dedos entre os pinos.

3 A câmera, no alto, tira uma foto da mão e um espelho a ajuda a ver também o ângulo lateral. A imagem é comprimida e enviada ao computador central. Verificada a semelhança, o computador libera a passagem.

O monta e desmonta do gigante olímpico

O Coliseu descartável

As instalações para os centésimos Jogos Olímpicos, em Atlanta, levaram em conta sua utilização futura. A idéia é não deixar elefantes brancos. Metade do Estádio Olímpico será demolida. Ele vai virar um campo de beisebol. Como a região não precisa de dois estádios para o esporte, seu vizinho, o Atlanta-Fulton County, local das competições olímpicas de beisebol, vai virar estacionamento.