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“Variante Delta vai se tornar resistente às vacinas, diz estudo”. Não é bem assim…

Manchete compartilhada nas redes sociais se baseia em evidências falhas - e induz a uma interpretação errada. Entenda por que.

Por Bruno Garattoni 14 out 2021, 06h48

O que a notícia dizia:

Segundo cientistas da Universidade de Osaka, é inevitável que a variante Delta do Sars-CoV-2 adquira “resistência completa” às vacinas. Os cientistas inseriram quatro mutações na Delta, que se tornou imune aos anticorpos gerados pela vacina Pfizer.

Qual é a verdade:

O estudo (1) não usou o Sars-CoV-2, mas um “pseudovírus” (feito com um pedaço de DNA colado na proteína spike do coronavírus). Foi feito in vitro, não in vivo. E usou células de rim, não do sistema respiratório. Mas o principal é que não há nenhuma garantia de que o coronavírus vá desenvolver essas quatro mutações – e que, mesmo se ele fizer isso, a nova variante prevalecerá sobre as atuais (a variante Beta, por exemplo, é mais resistente às vacinas do que a Delta, mas se propaga menos).

Fonte 1. The SARS-CoV-2 Delta variant is poised to acquire complete resistance to wild-type spike vaccines. H Arase e outros, 2021.

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