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49% da ciência brasileira é feita por mulheres, mas elas ainda são menos influentes

Estudo mostra que pesquisas lideradas por mulheres são menos citadas em decisões governamentais, entenda

Por Ana Clara Caielli Barreiro 10 mar 2026, 08h00 | Atualizado em 4 jun 2026, 16h34
49% da ciência brasileira é feita por mulheres, mas elas ainda são menos influentes Priorizar nos meus resultados Google

A participação de mulheres na ciência está aumentando – mas suas pesquisas ainda não causam o mesmo impacto que as realizadas por homens. Essa foi a conclusão de uma série de estudos conduzidos pela Bori nos últimos anos.

Primeiro, em 2024, um relatório produzido em parceria com a editora científica Elsevier analisou a atuação feminina na ciência brasileira entre 2002 e 2022. Os resultados foram otimistas: em 2022, 49% dos autores de publicações científicas no país eram mulheres, um aumento em relação a 2002, quando elas representavam 38%.

No mesmo período, a participação feminina nas áreas de STEM (sigla em inglês para ciência, tecnologia, engenharia e matemática) também cresceu de forma geral, passando de 35% em 2002 para 45% em 2022.

O estudo também classificou o Brasil como o terceiro país com maior representação feminina na ciência, atrás apenas da Argentina e Portugal. A análise considerou 18 países mais a União Europeia, e avaliou apenas os gêneros masculino e feminino.

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Mesmo assim, os números por área do conhecimento ainda refletem estereótipos de gênero. Em farmacologia, toxicologia, farmácia e psicologia, a participação feminina ultrapassa 60%. Em enfermagem, chega a 80%. Já nas ciências exatas os índices são bem menores, com 19% em matemática, 21% em computação e 27% em astronomia.

No fim do ano passado, a Bori avançou nessa investigação com um novo estudo, desta vez em parceria com a plataforma Overton, que analisa documentos de políticas públicas ao redor do mundo. 

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Foi descoberto que o impacto de pesquisas feitas por mulheres ainda está bem abaixo do registrado entre homens. Elas têm pouca influência em políticas públicas, que é um dos principais caminhos para que o conhecimento científico se transforme em impacto concreto na sociedade.

Entre os 107 pesquisadores brasileiros cujos trabalhos foram citados ou analisados pelo governo nacional e organizações internacionais, apenas 23 eram mulheres (21,5%). Os cinco cientistas mais influentes nas tomadas de decisão no país, segundo o levantamento, também são homens.

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A Bori conversou com algumas das pesquisadoras citadas. Para Ester Sabino, imunologista e membro da Academia Brasileira de Ciências, a dupla (ou até tripla) jornada enfrentada por muitas mulheres, somada a fatores culturais, acaba afastando as pesquisadoras da ciência. Para ela, ampliar a presença feminina na liderança de grandes projetos científicos é essencial.

Já Carolina Brito, professora de física da UFRGS, aponta outro problema: iniciativas institucionais sobre diversidade, que vêm ganhando força nas universidades, acabam recaindo sobre as poucas pesquisadoras mulheres, sobretudo nas áreas de exatas, gerando ainda mais sobrecarga.

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