A origem dos “homenzinhos verdes” – e o fascínio da humanidade por alienígenas
Episódio dos anos 1950 ajudou a alimentar o estereótipo dos ETs. As pesquisas sérias sobre vida no espaço são tema da reportagem de capa da Super deste mês.
Carta ao Leitor da edição 489 da Super, de julho de 2026.
No dia 21 de agosto de 1955, Billy Ray Taylor e a sua esposa visitavam o amigo Lucky Sutton em uma fazenda no Kentucky (EUA) quando algo estranho aconteceu.
Billy e Lucky notaram um brilho vindo do lado de fora da casa da família Sutton. Ao chegarem lá, deram de cara com uma criatura baixinha e cabeçuda. Tinha olhos grandes, garras e corpo prateado. Os dois atiraram contra ela e correram para a delegacia. Não adiantou: os supostos alienígenas (havia mais de um) passaram a noite inteira perambulando pela fazenda.
A história se espalhou pelo país, e o telefone sem fio fez com que o relato se misturasse com outro caso do Kentucky: o de uma mulher que jurava ter visto um disco voador e um homem verde de 1,80 metro de altura.
O episódio dos Sutton é um dos mais famosos relatos de ETs, e ajudou a disseminar o termo little green men (“homenzinhos verdes”) para descrever extraterrestres. Mas a expressão é mais antiga. Pelo menos desde o século 19, escritores de ficção e jornalistas já a usavam para se referirem a seres de outro planeta (uma lenda medieval sobre duas crianças de pele verde, que teriam surgido misteriosamente em um vilarejo na Inglaterra, pode ter ajudado na construção desse imaginário).
A Super não é uma revista de ufologia. A maior parte dos entusiastas dessa área não segue o método científico. Quase todos os episódios de avistamento são baseados em testemunhos e imagens de baixa qualidade, difíceis de verificar. “Alegações extraordinárias exigem evidências extraordinárias”, disse o astrônomo Carl Sagan.
(É bem provável, aliás, que as criaturas que apareceram na fazenda dos Sutton fossem apenas…corujas.)
Isso não significa, porém, que não possamos escrever sobre alienígenas. Pelo contrário: alguns dos maiores nomes da ciência já se debruçaram sobre esse assunto, e há pesquisas de ponta que buscam sinais de vida e de tecnologia fora da Terra. Esse é o assunto da capa deste mês, escrita pelo Bruno Carbinatto, que já entra no rol das nossas grandes matérias sobre o espaço.
Refletir sobre o que existe no cosmos é tão inquietante quanto pensar no que acontece depois da morte. Por ora, ainda não encontramos ninguém. Seria legal conhecer homenzinhos verdes? Com certeza. A solidão, porém, não me incomoda. Acho que ela torna ainda mais raro (e belo) o que fazemos aqui na Terra. Nebulosas, quasares e supernovas são fascinantes – mas ouvir uma orquestra, preparar o almoço de domingo e amar alguém talvez sejam as verdadeiras joias do Universo.
Rafael Battaglia Popp
Editor-chefe
rafael.popp@abril.com.br







