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Brasil foi o primeiro país a banir a “cura gay”

O Brasil, um país recordista em crimes homofóbicos, foi a primeira nação a banir a “cura gay” - o que só depõe contra o resto do mundo

O Brasil está bem longe de ser o paraíso da tolerância e ainda mais distante de ser um exemplo de segurança e garantia de direitos à população LGBTQ. No entanto, fomos o primeiro país em que as autoridades de saúde mental se manifestaram contra a terapia de conversão, também chamada de terapia de reorientação sexual, terapia reparativa ou cura gay, um conjunto de métodos que consideram a sexualidade da pessoa como critério para determinar um quadro de saúde mental – e que pregam a heterossexualidade como única orientação sexual “saudável”.

Apesar da recente decisão de um juiz federal da 14ª Vara do Distrito Federal ter aberto brecha para que psicólogos ofereçam “cura gay”, o tratamento foi proibido pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) há 18 anos. De acordo com o CFP, a decisão liminar “abre a perigosa possibilidade de uso de terapias de reversão sexual. A ação foi movida por um grupo de psicólogas (os) defensores dessa prática, que representa uma violação dos direitos humanos e não tem qualquer embasamento científico”. O Conselho ainda defende que “terapias de reversão sexual não têm resolutividade, como apontam estudos feitos pelas comunidades científicas nacional e internacional, além de provocarem sequelas e agravos ao sofrimento psíquico”.

Em 1999, o CFP estabeleceu que seus profissionais não poderiam colaborar com eventos ou serviços de tratamento para reversão da homossexualidade e que não deveriam reforçar o preconceito fazendo qualquer tipo de relação entre orientação sexual e transtorno psicológico.

Mas esse “pioneirismo brasileiro”, na verdade, esconde um atraso global na abordagem do assunto. Até pouco tempo atrás, cientistas insistiam na teoria do distúrbio. Nas décadas de 1950 e 1960, um grupo de terapeutas aplicou uma técnica semelhante ao método Ludovico de Laranja Mecânica para “curar” a homossexualidade masculina. No experimento, gays foram expostos a imagens de homens nus enquanto levavam choques elétricos ou eram obrigados a consumir substâncias que os faziam vomitar. Quando os participantes não conseguiam mais aguentar a sessão, os cientistas mostravam fotos de mulheres peladas ou os enviavam a encontros com enfermeiras jovens.

Assim como na história de Anthony Burgess, os cruéis testes não mudaram a orientação sexual deles, inclusive, contribuíram para desenvolvimento de traumas psicológicos. Desde então, não faltam exemplos científicos que comprovam que homossexualidade não é uma doença e, por isso, não pode nem precisa ser tratada.

A homossexualidade e o conceito de “distúrbio de orientação sexual” saíram completamente da relação de doenças do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM) dos Estados Unidos e da Associação Americana de Psiquiatria em 1987. A Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou a homossexualidade da sua listagem de patologias em 1992. A decisão do Conselho Federal de Psicologia brasileiro aconteceu sete anos depois.

Mesmo que muitas nações estejam empenhadas na garantia de direitos civis igualitários e no combate à homofobia, o movimento contra a “cura gay” é relativamente recente. Autoridades do Reino Unido, Canadá, Israel e de alguns estados americanos vêm se posicionando contra o “tratamento” por falta de embasamento científico desde 2007. Austrália, Chile e Suíça, por exemplo, só manifestaram repúdio à prática em 2016. Também ano passado, Malta se tornou o primeiro país europeu a banir esse tipo de terapia. De acordo com a nova lei maltesa, quem for pego tentando mudar ou reprimir a orientação sexual de alguém será multado ou preso.

Infelizmente, a realidade no arquipélago mediterrâneo está longe de ser regra. Gays, lésbicas, bissexuais e transexuais são alvo de ataques de ódio em vários lugares do mundo – em algumas nações são vistos como criminosos e estão sujeitos à pena de morte. Segundo informações da ILGA (International Lesbian, Gay, Bisexual, Trans and Intersex Association), 73 países consideram que sexo gay é crime. O número equivale a quase 40% dos membros da ONU.

Por aqui, mais homossexuais são assassinados que nos 13 países do Oriente e África onde há pena de morte contra os LGBT. Mesmo que a liminar no Distrito Federal seja freada por instituições de saúde, jurídicas ou de direitos humanos, continuamos com indicadores que comprovam a exclusão e o desrespeito com a população LGBT. No Brasil, um homossexual morre a cada três dias – de acordo com as estatísticas do Grupo Gay da Bahia (GGB). E sete em cada 10 brasileiros gays já sofreram algum tipo de violência. Também lideramos o ranking mundial de assassinato de transexuais.

Diante dessa contagem alarmante de vítimas, difícil é entender como ainda não foi criado nenhum tratamento contra a homofobia.

 

Comentários

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  1. Hermes Sursena

    RIDICULOS! REPORTAGENS gloablistas e comunistas, igual aos artistas, a imprensa brasileira é uma grande CLOACA.
    Se a pessoa quer parar de ter desejos sexuais pelo menos sexo, ELA NAO SÓ DEVE COMO TEM TODO O DIREITO DE FAZÊ-LO, e voces nao conseguirão impedir! então é melhor JAIR se acostumando.

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  2. Rosnei Barros

    Não entendi?!?!?!?!?!?!?!
    Olá a todos!!!!!!
    Estou entendendo pela matéria, que, se uma pessoa sentir a necessidade de ajuda e orientação sexual profissional para melhor enquadrar a sua opção sexual, lhe será NEGADO=OMITIDO ajuda pelos profissionais (juramentados para isso em sua conclusão de curso) por ordenança do Conselho Federal de Psicologia (CFP).
    Bom?????????? Para mim isto é uma afronta a CONSTITUIÇÂO no Art. 5º – “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,” e no incisos subquentes nos fala I – homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição; II – ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;
    III – ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante.
    Bom Sou Pedagogo, mas numa leitura simples fica claro que se todos são iguais em direitos e obrigações e seja o profissional ou o paciente está sendo constrangido e lhe causa sofrimento emocional(TORTURA), esta posição do Conselho de Psicologia é ilegal e devia seus representantes responderem conforme a lei do País.
    Ora se necessito de ajuda para ser ou deixar de ser dentro da liberdade que a lei dá não me pode ser negado tratamento no País isto é tortura das mais covardes!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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  3. Patrick Bitencourt

    Talvez não foi criado nenhum tratamento para homofobia porque não é necessário seus retardados. “Campeão de mortes contra homossexuais”,vocês enchem a boca para falar isso e escondem o número absoluto de 347 mortes de LGBT em 2016, de acordo com o Grupo gay da Bahia,e desses 144 eram transsexuais ou travestis,e mais, não há dados que comprovem a associação desses assassinatos com “fobia”. Agora num país com 60.000 homicídios/ano vocês mentirosos hipócritas vêm cobrar política contra homofobia? Nojo de vocês seus desinformantes.

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  4. Carlos Leonardo

    Gostaria que a pessoa que escreveu esse artigo me dissesse o que colabora com a violência um médico (ou cientista) estudar uma possível reversão para as pessoas que se disporem a tal? Nada é absoluto no mundo nem a certeza de que ser normal “é normal”, portanto, é uma afronta aos direitos individuais ser contra o livre estudo e a expansão do conhecimento.
    Outra, qual fatia desses dados de violência fornecidos pela organização baiana são “apenas” referentes” a preconceito e quantos são referentes a “violência comum”? Caso seja violência comum, você acha que o assassinato de um travesti por outro travesti é um caso de homofobia?

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  5. Sérgio Henrique

    Será que existirá tratamento para quem quer deixar de ser heterossexual? “Há também uma psicoterapia, para tentar a cura da homossexualidade, que consiste em combinar terapêuticas medicamentosas e psíquicas. De início se provoca a repulsa do invertido por suas práticas e, depois, reconciliá-lo com o sexo reprimido. Assim: mandam desfilar, numa tela, fotografias de homens despidos à frente do homossexual, enquanto, simultaneamente, lhe aplicam injeções vomitivas de apomorfina. Então, um alto-falante lhe diz coisas depreciativas sobre amizades particulares. Dois dias após, altera-se o sentido do tratamento, apresentando-lhe imagens de pin-up, no momento em que lhe aplicam injeções estimulantes e tocam discos de vozes femininas suaves, com apelos ao sexo. Chamam a isso terapêutica de punição do mal e reconciliação com o bem. Dizem que tem havido êxito em alguns casos. Na verdade, esse é um processo de reflexo condicionado. A novidade já é bastante antiga. (SILVA, Valmir Adamor da. Nossos Desvios Sexuais. Normal? Anormal? Editora Tecnoprint — 1986)

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  6. Jean Bruno Mendes

    A imprensa lá em 2013 disse que foi o Marco Feliciano quem inventou a “cura gay”. Agora vem dizer que a tal “cura gay” já existia há séculos e que o Brasil foi o primeiro país a abolir. Tá bom….

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  7. Emílio Angelo Benetti de Oliveira

    Penso que proibir uma pessoa de poder buscar ajuda de um psicólogo, para resolver seus conflitos sobre ser ou não homossexual é um enorme atraso. Vamos supor que uma pessoa queira se consultar com um psicólogo, para buscar ajuda, a fim de se assumir homossexual. Eu garanto que ninguém achará isso errado. Da mesma forma, impedir que uma pessoa busque a ajuda do profissional, para não praticar uma vida homossexual é um direito, que jamais pode ser impedido. Há muitas pessoas que têm distúrbios familiares, que geraram a homossexualidade e tratar-se com um psicólogo pode ser muito sadio. Acho a discussão proposta pelo CFP desnecessária e injusta.

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