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Comitê europeu oficializa planos de construir o maior acelerador de partículas do mundo

A viabilidade do Futuro Colisor Circular (FCC) vem sendo estudada há anos. Ele deve custar R$ 95 bi e acaba de ser incluído na Estratégia Europeia para Física de Partículas.

Por Maria Clara Rossini 3 jun 2026, 18h00
Comitê europeu oficializa planos de construir o maior acelerador de partículas do mundo Priorizar nos meus resultados Google

O Grande Colisor de Hádrons (LHC, na sigla em inglês) é o atual maior acelerador de partículas do mundo. Inaugurado em 2008 na fronteira da Suíça com a França, ele possui 27 quilômetros de extensão e é capaz de acelerar prótons a 99,9% da velocidade da luz. Ao se chocarem, essas partículas revelam informações fundamentais sobre o Universo – como a descoberta do Bóson de Higgs em 2012.

Um projeto gigantesco como o LHC não é obra de um país só. Ele existe sob o guarda-chuva da Comissão Europeia para Investigação Nuclear (CERN), que reúne 25 países europeus. 

No final de maio de 2026, o CERN anunciou uma atualização da sua Estratégia Europeia para Física de Partículas. Trata-se de um documento que define as prioridades e planos para o avanço das pesquisas em física de partículas. A última atualização havia ocorrido em 2020.

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A atualização da estratégia vem sendo feita desde março de 2024. Nos últimos dois anos, o comitê do CERN consultou especialistas em física de partículas e consideraram mais de 260 submissões escritas. A médio prazo, a estratégia propõe atualizações e melhorias no LHC.

A maior novidade do anúncio foi a inclusão do Futuro Colisor Circular (FCC) no plano, um futuro acelerador de partículas que se tornará o maior do mundo. Ele será três vezes maior que o LHC, com 91 quilômetros de extensão. O projeto deve custar 15 bilhões de francos suíços, ou 95 bilhões de reais.

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Infográfico comparando os tamanhos do FCC e do LHC.
(Juliana Krauss/Superinteressante)

A ideia não é nova: o projeto de construção do FCC vem sendo desenvolvido há anos. (A Super, inclusive, já fez uma reportagem esmiuçando os detalhes do futuro acelerador). A novidade é que, com a inclusão do FCC na estratégia europeia, o acelerador deixa de ser uma ideia e passa a se tornar um plano concreto.

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“É uma decisão monumental”, disse Costas Fountas, presidente do Conselho do CERN, à Science. “A comunidade escolheu o FCC como a solução preferida para o próximo grande projeto no CERN”. O plano é que o novo acelerador começe a funcionar na década de 2040, após o encerramento das atividades do LHC em 2041.

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Plano em duas partes

O FCC, na verdade, serão duas máquinas construídas uma após a outra. A primeira se chama FCC-ee: seu objetivo é chocar elétrons contra pósitrons a uma energia de até 0,365 tera-elétron volts (TeV), o suficiente para gerar vários bósons de Higgs. A energia de colisão é bem menor do que a do LHC (13,6 TeV), mas suas colisões elétron-pósitron devem ser mais limpas em comparação às colisões próton-próton do acelerador atual. Isso permitirá aos cientistas estudar o bóson de Higgs em extremo detalhe.

Metade do gasto de construção do FCC-ee será dedicado à abertura de um túnel circular para abrigar o acelerador embaixo da terra. Essa máquina deve funcionar entre os anos de 2045 e 2070.

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Após esse período, o FCC-ee será removido do túnel, abrindo espaço para a segunda etapa do projeto: o FCC-hh. Esse será um acelerador que colide prótons contra prótons, como o LHC. A diferença é que o FCC-hh deve acelerá-los com uma energia de 100 TeV, sete vezes maior que o acelerador que descobriu o bóson de Higgs.

A estratégia em duas partes é semelhante à que foi usada no LHC: em 1983, o CERN começou a construir o túnel de 27 quilômetros para abrigar o Grande Colisor Elétron-Pósitron (LEP). Ele funcionou até os anos 2000, e em seguida deu espaço ao LHC.

Infográfico com linha do tempo da evolução dos tamanhos dos aceleradores de partículas Cern ao longo das décadas.
(Juliana Krauss/Superinteressante)

 

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