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Completar álbum da Copa ficou duas vezes mais caro em 2026; entenda

Além das seleções extras, preço das figurinhas subiu acima da inflação. No pior dos cenários, o fã desembolsará R$18 mil nessa tarefa.

Por Maria Clara Rossini 20 Maio 2026, 19h01 | Atualizado em 28 Maio 2026, 13h24
Completar álbum da Copa ficou duas vezes mais caro em 2026; entenda Priorizar nos meus resultados Google

Em 2018, um boleiro gastava apenas R$ 2 para comprar um pacote com cinco figurinhas do álbum da Copa. O mundo era outro: não se sabia se Bolsonaro ou Haddad iria governar o País nos quatro anos seguintes, e a palavra “coronavírus” só era familiar para os virologistas. Cada cromo futebolístico custava R$ 0,40.

Em 2022, o preço dobrou: o pacote passou a custar R$ 4, ou R$ 0,80 por cromo. O reajuste ficou bem acima do IPCA, índice usado para calcular a inflação dos produtos do dia a dia. Se tivesse sido ajustado apenas pela inflação, cada pacote deveria sair por R$ 2,59 (R$ o,51 por cromo).

E chegamos a 2026. Este ano as figurinhas são vendidas em pacotes de sete, que custam R$ 7. Dessa forma, cada cromo sai por R$ 1. É um salto tremendo em relação ao preço de outros produtos. De 2018 para 2026, a inflação acumulada foi de 50%. Isso significa que, reajustando o valor pelo IPCA, cada figurinha deveria custar apenas R$ 0,60 em 2026. 

A cada quatro anos, o álbum de figurinhas da Copa nos dá uma aula de economia e estatística. Temos basicamente o mesmo produto sendo vendido nas bancas (lembra delas?), apenas com alterações no número de figurinhas de um ano para o outro.

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A matemática por trás da bola da Copa do Mundo

Este ano houve um aumento no número de seleções participantes da Copa: de 32 para 48 países competidores. Isso resulta em um crescimento direto no número de espaços para figurinhas, que foi de 670 para 980. Além do aumento no valor de cada cromo, o fã tem que considerar os 310 espaços extras para preencher.

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O álbum brochura mais simples está custando R$ 24,90 (mais que o dobro em relação a 2022, quando era R$ 12). Para ter todas as figurinhas, o boleiro deve comprar no mínimo 140 envelopes (980 cromos totais dividido por 7). Dessa forma, o investimento mínimo é de R$ 1.004,90 – considerando que todas as figurinhas compradas sejam diferentes entre si.

Acontece que o cenário acima é estatisticamente impossível. As chances de comprar 140 pacotes sem tirar nenhuma figurinha repetida é de uma em 10 elevado a 423. Um seguido de 423 zeros. É muito mais do que o número de átomos existentes no Universo observável (10 elevado a 80).

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O único jeito de gastar apenas R$ 1.004,90 para completar o álbum da Copa é se você trocar todas as suas figurinhas repetidas pelas que faltam – o que, convenhamos, também é pouquíssimo provável. Em 2022, um colecionador que trocasse todas as suas figurinhas repetidas gastaria apenas R$ 548. Devido ao aumento do número de seleções e do preço dos cromos, o valor para completar o álbum dobrou.

Se você resolver não trocar nenhuma figurinha, o gasto passa a ser astronômico: por volta de R$ 7 mil para completar o álbum. Esse cálculo é feito com base em

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simulações matemáticas, que consideram as chances de repetição de figurinhas. No cenário mais otimista, em que o colecionador tira poucas figurinhas repetidas, ele gasta cerca de R$ 4,3 mil. Mas se ele for um azarado completo, o gasto pode chegar a R$ 18 mil.

A melhor estratégia é trocar cromos com amigos, conhecidos ou desconhecidos. Segundo cálculos do matemático Gilcione Nonato para o InvestNews, trocar figurinhas com apenas uma pessoa já reduz o custo médio de R$ 7.362,90 para R$ 4.638,90. Quanto mais, melhor: em grupos de 10 pessoas, o gasto médio é de R$ 2.459,90. Ainda salgado, mas factível.

Se mesmo com o aumento dos preços você resolveu investir no álbum da Copa de 2026, abuse dos encontros com amigos, reuniões nas praças e grupos de trocas. O seu bolso agradece.

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