Cuidar de um jovem com transtorno mental pode consumir metade da renda da família, aponta estudo
O cuidado vai além de pagar despesas médicas – e envolve custos indiretos que podem equivaler a metade do salário mensal
Quando o assunto é as despesas de cuidar de um jovem com transtorno mental, a primeira coisa que vem em mente são gastos com remédios, consultas médicas e outras necessidades. Mas e os custos indiretos que esse cuidado gera?
Um novo estudo do Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM) investigou o tema e revelou que o impacto econômico indireto desse cuidado equivale, em média, a 50% da renda mensal da família, independentemente do nível socioeconômico.
O CISM é sediado na Universidade de São Paulo (USP), e os resultados foram publicados na revista científica Value in Health.
A pesquisa ouviu 1.158 cuidadores de jovens entre 14 e 23 anos diagnosticados com transtornos mentais. A maioria absoluta dos participantes (94,2%) era composta por mães.
Geralmente, pesquisas sobre o tema costumam focar no transtorno do espectro autista e em condições que demandam maior volume de recursos diretos. Este estudo, porém, também incluiu jovens com ansiedade, depressão e transtornos comportamentais mais comuns – mostrando que essas condições também geram um impacto financeiro significativo.
Entre as famílias entrevistadas, 458 (40%) afirmaram que o cuidado do jovem provoca impactos econômicos indiretos. Esse tipo de gasto inclui fatores como a quantidade de horas dedicadas ao cuidado, a redução da produtividade no trabalho, dificuldades em realizar tarefas domésticas e efeitos sobre a própria saúde do cuidador. Também entram na conta despesas pagas do próprio bolso, como transporte e outros custos relacionados à rotina de cuidados. Despesas médicas diretas como consultas, medicamentos e tratamentos, não foram incluídas no cálculo.
Considerando todos esses aspectos, o impacto médio nesses 458 casos correspondeu a metade da renda mensal familiar. A proporção foi a mesma em diferentes grupos socioeconômicos.
“Embora essas conclusões devam ser interpretadas com cautela devido às limitações inerentes, elas ressaltam os impactos econômicos substanciais enfrentados pelos cuidadores de jovens com problemas de saúde mental, sugerindo a necessidade de intervenções políticas direcionadas para promover cuidados equitativos e fornecer um apoio mais abrangente ao cuidado de filhos”, concluem os autores do estudo.





