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Engenharia é coisa de menino? Estereótipos de gênero começam já aos seis anos, aponta estudo

Nessa idade, pelo menos 30% das crianças já acreditam que os meninos são melhores em computação e engenharia

Por Victor Bianchin 31 dez 2024, 16h00 | Atualizado em 4 jun 2026, 16h11
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A ideia de que homens são mais aptos a algumas funções do que as mulheres é preconceituosa, porém arraigada em nossa cultura. Mas em qual momento da infância ocorre esse “virar de chave”, quando a criança passa a acreditar que algumas funções seriam mais adequadas para um ou outro gênero?

Um novo estudo do American Institutes for Research (AIR) parece trazer luz para este assunto. A pesquisa revelou que, aos seis anos de idade, pelo menos um terço das crianças já começa a acreditar que meninos são melhores que as meninas nos campos da computação e engenharia.

Uma inversão ocorre quando se trata da matemática – em que as meninas são apontadas como melhores, na opinião das crianças de seis anos.

Esse é o maior estudo já feito sobre estereótipos de gênero a respeito das áreas STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática) e de habilidades verbais. Ele verificou outras 98 pesquisas ao longo de 40 anos, com dados de 145 mil crianças em 33 países. Os resultados foram publicados em dezembro no Psychological Bulletin.

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Outras descobertas do estudo:

  • Conforme as meninas envelhecem, a opinião enviesada sobre as profissões STEM se agrava, o que pode limitar suas futuras aspirações nessas áreas (incluindo algumas que deverão crescer, como a inteligência artificial)
  • Nos EUA, crianças negras tendem a possuir menor enviesamento sobre as profissões STEM do que as brancas
  • Estereótipos de gênero sobre a área da matemática são bem mais amenos do que os cientistas esperavam, especialmente em comparação com os estereótipos sobre engenharia e computação
  • Meninas são vistas como superiores em campos relacionados à fala, como escrita e leitura. Esse enviesamento surge aos 8 anos de idade e se fortalece ao envelhecer

“O surgimento precoce desses enviesamentos sinaliza que as crianças adquirem informações sobre estereótipos em computação e engenharia em casa e em outros ambientes antes do ensino primário”, afirmou David Miller, pesquisador do AIR e autor líder do estudo. Segundo ele, para combater essas narrativas, é preciso ação por parte de pais e educadores.

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O fato de os enviesamentos piorarem nas meninas conforme elas envelhecem também é motivo de preocupação. “Iniciativas focadas em ‘garotas na matemática’ ou ‘garotas nas STEM’ podem não ser eficientes em combater as crenças masculinocêntricas mais arraigadas”, afirmou Miller.

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Ele acredita que é preciso um foco especial nas meninas para que esses estereótipos sejam combatidos desde a primeira infância.

Em sua conclusão, o estudo diz que esses estereótipos, ao longo do tempo, podem afetar os comportamentos e motivações das crianças, inclusive nas escolhas de carreiras. Por isso, os pesquisadores ressaltam que é preciso atenção, por parte de pais e educadores, para identificar e combater esses estereótipos antes mesmo do começo da vida escolar.

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