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EUA querem projetar foguete movido a energia nuclear

O projeto, que envolve o Pentágono e três empresas, ainda é meramente teórico; Rússia possui um míssil do tipo, o Burevestnik, que já está em testes

Por Carolina Fioratti e Bruno Garattoni 14 abr 2021, 16h38

A Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa dos EUA (Darpa, na sigla em inglês) fechou um contrato com três empresas para projetar um foguete movido a energia nuclear até 2025. 

A primeira fase do programa, conhecido como Foguete de Demonstração para Operações Cislunares Ágeis (Draco, na sigla em inglês), deve durar 18 meses, sendo dividida em duas partes. Na primeira, a General Atomics, empresa especializada em projetos de defesa e energia, irá desenvolver um reator nuclear compacto. Em seguida, as empresas Blue Origin e Lockheed Martin ficarão responsáveis pelo desenho do foguete.

Os valores concedidos às empresas são irrisórios pelos padrões militares:  a General Atomics vai receber US$ 22 milhões, a Blue Origin US$ 2,5 milhões, e a Lockheed US$ 2,9 milhões. Isso deixa claro que o projeto se restringe ao campo teórico: a Darpa quer fazer estudos de design do foguete, mas os EUA não necessariamente irão construi-lo. O país deve priorizar a tecnologia de mísseis hipersônicos, que os EUA ainda não dominam, mas Rússia e China já possuem. Em abril, o hipersônico americano ARRW fracassou no primeiro teste.  

Os foguetes atuais utilizam sistemas de propulsão química, mas a propulsão nuclear pode ser mais vantajosa. Ela permite desenvolver mísseis e foguetes espaciais com autonomia muito maior. A Rússia possui um míssil de propulsão nuclear, o Burevestnik, que já está na fase de testes (o míssil supostamente explodiu durante um deles, em 2019).

 

 

  • A propulsão nuclear não gera empuxo suficiente para lançar um foguete. Ele precisa ser disparado usando combustível tradicional, ou lançado de um avião – o reator só é ativado quando o foguete já está no ar, e serve para mantê-lo voando por tempo indeterminado. O calor gerado pela fissão nuclear aquece o ar que passa por dentro do míssil, gerando empuxo. No espaço, como não há ar, o sistema utilizaria um propelente (que seria aquecido e liberado pela parte de trás do foguete). 

    O projeto americano pretende alcançar órbitas que estão até 400 mil quilômetros acima da Terra, chegando próximo da Lua. A distância é muito além da atingida hoje pela maioria dos satélites, que ficam na órbita geoestacionária, a uma altitude de 36 mil quilômetros. Durante a década de 60, a Nasa chegou a desenvolver um programa intitulado Motor Nuclear para Aplicação de Veículo Foguete (Nerva, na sigla em inglês), mas nenhum protótipo chegou a ser testado.

    Os Estados Unidos não são os únicos interessados em propulsores nucleares. Em janeiro deste ano, a Agência Espacial do Reino Unido anunciou uma parceria com a empresa Rolls-Royce para desenvolver motores nucleares que seriam aplicados em viagens à Marte (e reduziriam pela metade o tempo necessário para chegar lá). 

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