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Por que Paris proibiu bebidas alcoólicas nas ruas – e o que a crise climática tem a ver com isso

Devido a temperaturas acima de 40°C, a capital francesa proíbe a venda e consumo de álcool em locais públicos aos fins de semana. Entenda.

Por Ana Clara Caielli Barreiro 1 jul 2026, 19h00 | Atualizado em 2 jul 2026, 14h16
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Desde a sexta-feira passada, dia 26 de junho, Paris proibiu a venda e o consumo de álcool em alguns locais, em determinados dias e horários. A medida está longe de ser uma lei seca. Na verdade, é uma tentativa de reduzir o número de pessoas com problemas de saúde causados pelo calor extremo que vem sendo registrado na região.

A medida determina que o consumo de bebidas alcoólicas em locais públicos fica proibido das 12h de sexta-feira às 7h de sábado e, depois, das 12h de sábado às 7h de domingo. A restrição não se aplica a bares, cafés e restaurantes que possuem licença para vender e servir bebidas alcoólicas. A ideia é impedir que as pessoas comprem álcool em lojas e o consumam nas ruas.

A venda de bebidas alcoólicas em mercados, adegas e outros estabelecimentos também foi restringida. Nesses casos, a proibição vale das 18h de sexta-feira às 7h de sábado e, depois, das 18h de sábado às 7h de domingo. Durante esses períodos, nem mesmo é possível comprar bebidas alcoólicas para consumir em casa.

A medida foi aplicada no último fim de semana, entre os dias 26 e 28 de junho. O governo francês ainda não informou se ela voltará a ser adotada no próximo fim de semana ou em outros períodos de calor intenso.

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O verão europeu acabou de começar, tendo início no fim de junho e se estendendo até setembro. Desta vez, ele está particularmente quente, quebrando recordes de temperatura por todo o continente graças a uma onda de calor intensa e incomum. A cidade de Saarbrücken, na Alemanha, registrou 41,3 °C. Já Aarhus, na Dinamarca, marcou 37 °C.

As causas dessas ondas de calor ainda estão sendo investigadas, mas muitos especialistas já apontam que a crise climática e o El Niño são fatores responsáveis.

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Peixes-palhaço e anêmonas estão desaparecendo por causa do calor

Outro país fortemente afetado é a França. Desde 1947, o país calcula o “indicador térmico nacional”, que corresponde à média das temperaturas registradas durante o dia e a noite em diferentes regiões do território. Até então, o recorde desse indicador era de 29,4 °C, registrado em 2003 e repetido em 2019. Na semana passada, ele foi quebrado duas vezes.

No dia 23 de junho, o indicador atingiu 29,8 °C. No dia seguinte, chegou a 30 °C. Diversas cidades também registraram temperaturas elevadíssimas, como Pissos, no sudoeste da França, que marcou 44,3 °C. A capital, Paris, ultrapassou os 40 °C.

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Isso tem gerado um verdadeiro caos no país, com mais de mil mortes em apenas três dias. Muitas pessoas tentam se refrescar em fontes públicas, o que tem provocado afogamentos. Outras recorrem ao ar-condicionado do carro, que nem sempre é suficiente. Pelo menos quatro bebês e crianças já foram encontrados mortos dentro de veículos.  

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Com isso, os hospitais parisienses ficaram sobrecarregados, registrando um aumento nas internações e nos casos de parada cardíaca. Problemas cardiovasculares têm sido identificados até mesmo em pessoas jovens. As ambulâncias, também sobrecarregadas, registraram quatro vezes mais ocorrências de parada cardíaca do que o normal em apenas 24 horas.

Diante da situação, as autoridades francesas decidiram impor restrições ao consumo de álcool, na tentativa de reduzir os problemas de saúde relacionados ao calor extremo. O álcool acelera a desidratação e interfere na capacidade do organismo de regular a temperatura corporal. Em uma onda de calor como a atual, os efeitos podem ser ainda mais perigosos.

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