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Tasmânia tem o pior encalhe de baleias já registrado na história do estado

Cerca de 400 animais já morreram – e agora, equipes de resgate estão correndo contra o tempo para salvar o restante.

Por Carolina Fioratti 23 set 2020, 17h01

Autoridades australianas tiveram que se mobilizar no início desta semana para resgatar baleias-piloto encalhadas na costa oeste da Tasmânia. Na segunda-feira (21), foram avistadas cerca de 270 baleias na região de Macquarie Heads. Depois, sobrevoando o local, as equipes de busca identificaram outros 200 animais nas proximidades. Autoridades australianas descrevem o encalhe em massa como o pior já visto no estado. 

Equipes de resgate formadas por cientistas, funcionários do governo e policiais começaram a agir na noite de terça-feira e, até o momento, devolveram ao mar 50 baleias. 400 dos animais acabaram morrendo na costa, mas os grupos seguem tentando salvar os 20 restantes. O que preocupa os ambientalistas é que, mesmo após devolvê-las ao oceano, algumas baleias acabam voltando à costa devido ao movimento da maré. 

As baleias-piloto podem alcançar sete metros de comprimento e pesar até três toneladas, o que torna o resgate complicado. Para retirá-las da costa, a equipe encaixa uma tipoia sob o animal e o arrasta com auxílio de um barco até mar aberto. Para ajudá-las a seguir oceano adentro, são utilizadas embarcações emitindo sons característicos da espécie que servem como guias de navegação para as baleias. 

Além do resgate, as autoridades devem se preocupar com outro problema: a remoção dos corpos. Em episódios passados, as carcaças foram enterradas ou jogadas ao mar, mas ainda não há um plano de limpeza definido. Os corpos na praia apresentam riscos à saúde humana, já que as baleias podem ter infecções e acabam transmitindo doenças aos humanos, como a brucelose, que afeta o sistema respiratório. Além disso, o animal morto acumula gases em seu estômago durante a decomposição e, caso a carcaça seja perfurada ou manipulada de forma errada, a baleia pode acabar explodindo. 

  • Não se sabe ao certo os motivos para o encalhe em massa, mas há algumas hipóteses. As baleias-piloto são animais que vivem em sociedade, então nadam em grupo para manter a comunicação estabelecida e seguem um líder em comum. Pode ter ocorrido desta baleia líder ter errado a rota e levado todo o grupo com ela. 

    As baleias respiram através dos pulmões, tendo que subir à superfície para realizar trocas gasosas. Por esse motivo, elas não morrem na praia por não conseguirem respirar, como ocorreria com os peixes. Acontece que a baleia é um animal marinho e precisa da água para sustentar seu próprio peso. Quando está no raso, a gravidade faz com que seu próprio corpo amasse seus órgãos vitais, levando-a à morte. Há ainda uma complicação relacionada à sua temperatura. As baleias mantêm o corpo em 37 ºC e contam com 40 centímetros de gordura para suportar as baixas temperaturas do oceano. Elas não têm glândulas sudoríparas e, ao encalhar, acabam superaquecendo, o que causa a desidratação do animal. 

    O encalhe de baleias na costa da Tasmânia não é incomum. Por outro lado, o evento registrado essa semana foi o mais grave dos últimos tempos. Em 1935, cerca de 294 baleias-piloto haviam encalhado no estado. O episódio mais recente ocorreu em 2009, quando 200 animais da espécie encalharam na costa.

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