PREÇO BAIXOU! Revista Impressa + Digital Premium a partir de R$ 10,99/mês. Corre e assine agora!

Um macaco já foi candidato à Prefeitura do Rio – e recebeu mais de 400 mil votos

O carioca Tião conquistou a terceira colocação e entrou para o Guinness World Records como o chimpanzé mais votado do mundo.

Por Ana Clara Caielli Barreiro 9 ago 2026, 08h00
Um macaco já foi candidato à Prefeitura do Rio – e recebeu mais de 400 mil votos Priorizar nos meus resultados Google

As urnas eletrônicas foram implantadas no Brasil em 1996. Antes disso, as eleições eram realizadas com cédulas de papel, e os eleitores podiam escrever manualmente o nome do candidato de sua preferência. Foi assim que, nas eleições municipais do Rio de Janeiro de 1988, centenas de milhares de pessoas escreveram a mesma palavra na cédula: Tião. Não era um candidato oficial, mas sim um chimpanzé (Pan troglodytes).

Tião nasceu no Zoológico Municipal do Rio de Janeiro e era conhecido por sua personalidade forte e pelas constantes tentativas de fuga. O chimpanzé quebrou as portas da própria jaula, levantou as telas do recinto mais de uma vez para tentar escapar e, em outro episódio, se recusou a entrar na área coberta durante a chuva. Em determinado momento, chegou até a receber prescrição de calmantes dos veterinários.

Ele também não era exatamente simpático com os visitantes. Fazia caretas, jogava fezes e lama nas pessoas (até mesmo em políticos) e exibia os órgãos genitais para o público. E, justamente por isso, Tião acabou se tornando uma das principais atrações do local.

Macaco com pelagem esverdeada e escura, boca aberta mostrando dentes amarelados e língua rosada, em primeiro plano. Ao fundo, pessoas borradas observam através de grades, em ambiente verde
(Yacàwotçã (User)/Wikimedia Commons)
Continua após a publicidade

Em 1988, o zoológico lançou um programa de adoção de animais. Empresas podiam patrocinar os custos de manutenção de um bicho em troca de divulgar sua marca na jaula.

Na época, Tião tinha 25 anos e conquistou patrocinadores à sua altura: os jornais de humor Casseta Popular e Planeta Diário, conhecidos pelo caráter satírico. Inicialmente, a ideia era divulgar os veículos por meio da figura mais engraçada do Zoológico.

Ao mesmo tempo, aproximavam-se as eleições municipais. O país atravessava um período turbulento, recém-saído da ditadura militar: a democracia ainda se consolidava enquanto a inflação disparava. No Rio de Janeiro, a prefeitura havia decretado falência, aumentando ainda mais a insatisfação dos cariocas. 

Continua após a publicidade

Foi nesse contexto que os humoristas da Casseta Popular tiveram uma ideia inusitada: lançar a candidatura de Tião à Prefeitura do Rio como uma forma de sátira política.

Em outubro, organizaram um evento em frente à jaula do chimpanzé. Inventaram a história de que o animal, sempre tentando fugir, seria, na verdade, um preso político.

O evento, condenado pela direção do zoológico, foi parar nas capas dos jornais e virou uma sensação no Rio. Tião recebeu santinhos, um jingle e diversos slogans, como “Tudo pela evolução. Para presidente, macaco Tião!”. Houve até um show em apoio à candidatura, realizado no Circo Voador, com apresentações gratuitas de artistas como Ultraje a Rigor e Lenine.

Continua após a publicidade

A campanha ganhou uma proporção imensa, e pessoas efetivamente votaram no animal. Como ele não era candidato registrado, todos esses votos foram anulados, mas as estimativas indicam que Tião recebeu cerca de 400 mil votos.

No fim, Marcello Alencar foi eleito prefeito do Rio de Janeiro e Tião ocupou a posição de terceiro nome mais votado da eleição, que reuniu 12 candidatos. O chimpanzé entrou para o Guinness World Records como o chimpanzé mais votado do mundo.

Estátua de um macaco em um pedestal de concreto. Ao lado, uma placa informativa azul com texto e fotos de macacos. O cenário é um parque com árvores, arbustos e um piso de tijolos, cercado por grades pretas
(Fulviusbsas/Wikimedia Commons)
Continua após a publicidade

Tião morreu em 1996, devido a um coma diabético. Sua morte levou a Prefeitura do Rio a decretar alguns dias de luto oficial. Hoje, o chimpanzé é homenageado com uma estátua em tamanho real no zoológico, enquanto seu esqueleto está preservado no Centro de Primatologia do Rio de Janeiro.

E ele está longe de ser o único animal a entrar para a história da política brasileira. Em 1959, a rinoceronte Cacareco recebeu cerca de 100 mil votos para vereadora em São Paulo. Já em Vila Velha, no Espírito Santo, um mosquito ganhou as eleições municipais de 1987, mas teve seus votos anulados.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional verde-escuro com texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo uma página de notícias e um ícone de árvore verde-claroMão segurando um smartphone com aplicativo de notícias exibindo O mês é do cliente. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua em fundo verde-escuro, com um ícone de árvore no canto superior direito
ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Essencial

Enquanto você lê isso, o mundo muda — e quem tem Superinteressante Digital sai na frente.
Tenha acesso imediato a ciência, tecnologia, comportamento e curiosidades que vão turbinar sua mente e te deixar sempre atualizado.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Superinteressante todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Premium
De: R$ 29,99/mês
A partir de R$ 9,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).