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Universitários usam 4.500 vibradores para protestar contra armas no campus

Alunos se aliaram a sex shops e transformaram a primeira semana de aula em uma parada de pênis falsos (tudo em nome do controle de armas, é claro).

Por Ana Carolina Leonardi Atualizado em 4 nov 2016, 19h17 - Publicado em 25 ago 2016, 20h00

A Universidade do Texas foi palco do primeiro ataque armado da história dos Estados Unidos, em 1966, antes de esse tipo de crime se tornar tão comum no país. Neste ano, em 1º de agosto, o massacre completou 50 anos. E, no mesmo dia, entrou em vigor uma lei que liberou a posse de armas dentro do campus da mesma universidade. Mas algumas estudantes não deixaram barato e decidiram protestar contra a decisão usando brinquedos sexuais.

A polêmica começou quando a medida foi aprovada em janeiro do ano passado. Andar pelo campus com uma arma escondida já era permitido para portadores licenciados. Com a nova lei, maiores de 21 anos ganharam o direito de carregar pistolas para dentro dos prédios, incluindo salas de aula e dormitórios.

Foi a aluna Jessica Jin que notou que no Estatuto de Regras da Universidade, há uma cláusula de obscenidade que proíbe que as pessoas exibam brinquedos sexuais em público. “É uma infração brandir ou distribuir objetos que retratam genitália humana em forma túrgida”, dizia o texto.

Os alunos decidiram então chamar atenção para o fato de que as regras são mais rígidas com vibradores do que com revólveres, combatendo o absurdo com o absurdo. Durante um protesto, foram distribuídos 4.500 vibradores cedidos por sex shops locais e os manifestantes exibiram os dildos presos às suas mochilas e roupas.

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A iniciativa bem humorada quer causar desconforto de propósito – a organizadora Jessican Jin acredita que os mesmos olhares estranhos que eles estão recebendo deveriam ser direcionados a pessoas que escolhem andar com armas por aí. A ideia é ser sexualmente positivo e, ao mesmo tempo, criticar a normalização da cultura armamentista.

Não são só os alunos que são contra o porte de armas no campus. Desde que a lei foi aprovada, um dos reitores e três professores pediram demissão como sinal de protesto. Outros três pediram o bloqueio da lei à corte federal e tiveram seus pedidos negados.

O argumento dos que são a favor do porte de armas é que cidadãos comuns podem ajudar a parar um tiroteio em massa – e citam o próprio incidente de 50 anos atrás. Quando o atirador Charles Whitman feriu 49 pessoas e matou 17 do alto da torre da Universidade do Texas, tiros vindos de civis desaceleraram o ataque, obrigando Whitman a procurar abrigo e dando espaço para que a polícia agisse.

Por outro lado, segundo especialistas, nesses 50 anos muita coisa mudou. Como o crime de 1966 foi o primeiro desse tipo, a polícia não estava preparada para lidar com ele. Hoje, depois de tantos casos com o ataque em Orlando, as polícias locais estão tão preparadas quanto possível para tiroteios como esse. “Cidadãos aparecendo e atirando de volta provavelmente atrapalhariam, ficando no meio do caminho. E todos ficam em perigo quando isso acontece”, disse Gary Lavergne, autor de um livro sobre o caso Whitman, ao jornal The Guardian.

O protesto vibratório ganhou o nome de Cocks not Glocks (pintos, não pistolas) e foi uma das causas políticas que mais causou barulho na universidade nos últimos tempos, com mais de 10 mil alunos declarando apoio à causa. Haja vibrador para tanto manifestante.

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