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A Lua um dia teve uma irmã

Se nosso satélite foi mesmo arrancado da Terra, ele pode ter tido um companheiro por curto período de tempo.

Thereza Venturoli

Há alguns meses, cientistas das Universidades de Tóquio e do Colorado, em Boulder, anunciaram que, segundo simulações em computador, a Lua nasceu mesmo da trombada da Terra com outro planeta, com tamanho aproximado ao de Marte (veja Supernotícias ano 11, número 10). A violência do choque destruiu o inconveniente vizinho e lançou ao espaço um anel de pedaços de rocha, semelhante aos anéis que giram em torno de Saturno. Foram esses pedregulhos que acabaram se aglomerando na Lua que brilha hoje sobre nossas cabeças. Até aí, nenhuma grande surpresa. Surpresa mesmo é que, das 27 simulações que os cientistas realizaram, nove demonstram que o satélite terrestre não foi o único corpo formado pelo choque. Segundo Robin Canup, líder da equipe americana, se o anel poeirento se afastou bastante da Terra – a uma distância em torno de 40 000 quilômetros – a força da gravidade terrestre pode ter separado as pedras em duas porções. “Daí surgiriam duas luas, em vez de uma”, diz ele. Só que, pelo menos no computador, a mais próxima de nós não duraria mais do que um século. Seria destruída pela mesma força gravitacional que a criara. Seus destroços teriam caído de volta na Terra.

Como as gêmeas nasceram

O choque com um planeta errante pode ter lançado ao espaço material para duas luas.

1. Um planeta do tamanho de Marte se choca com a Terra, há 4,5 bilhões de anos.

2. Pedaços dos dois planetas formam um anel a 40 000 quilômetros da Terra.

3. A força de gravidade terrestre quebra o anel de rochas em duas partes.

4. Cada porção se aglomera e forma um satélite. A Lua que existe hoje é a mais distante.

5. A irmã da Lua, perto demais da Terra, cai no planeta. Resta a Lua que vemos.