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A morte do notebook

O celular vai aposentar o computador portátil

Pedro Burgos

O ano de 2008 será marcado pelo sucesso dos notebooks. Os brasileiros comprarão 5,5 milhões desses aparelhos, 185% a mais do que em 2007, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). Nos EUA, as vendas ultrapassarão, pela primeira vez, as de desktops.

• Esse momento histórico se justifica: os notebooks começam a substituir os computadores de mesa porque fazem hoje as mesmas tarefas, com a mesma desenvoltura, e por um preço cada vez mais acessível. Os notebooks também estão ficando menores: os chamados ultraportáteis (UMPCs), como o Asus EeePC, caíram no gosto do povo. Até o final de 2008, 5 milhões deles devem estar nas ruas – e em qualquer lugar próximo a uma rede wi-fi.

• E é aí que começa a derrocada do notebook. O sucesso dos ultraportáteis mostra duas coisas: 1) os consumidores querem cada vez mais algo pequeno e leve; e 2) não fazem questão de supercomputadores – tanto que os mininotebooks não têm muita memória, tela grande ou dvd. Combinadas, essas duas tendências mostram o seguinte: quando os celulares ficarem tão eficientes quanto um computador, eles começarão a matar os portáteis.

• E quando o notebook que você quer comprar em 20 parcelas ficará obsoleto? O Instituto Gartner prevê que, em 2012, 50% dos profissionais deixarão os laptops em casa e carregarão dispositivos mais leves, menores e eficientes. Esses aparelhos deverão ser uma evolução do celular com internet e câmera que conhecemos hoje.

• E, para os que acham que o notebook é melhor pela facilidade ao digitar textos, é bom lembrar que a dobradinha teclado e mouse é velha e pode ser substituída por novas interfaces com a máquina – por voz, movimentos corporais ou mesmo teclados diferentes, como o swype (tinyurl.com/6nnly7).

• Antes de chegarmos à morte do notebook de fato, vamos passar por soluções como o Celio Redfly (veja quadro abaixo) ou o Fone+, aposta da Microsoft: um adaptador que liga o smartphone à TV, teclado e mouse – sem usar fios. O alvo da empreitada, a princípio, é o mercado dos países emergentes. Por um motivo simples, explicado por Craig Mundie, diretor do projeto: “Aproveitar os telefones é bem mais barato que comprar a parafernália toda”.

Notebook só na casca

Com menos de 1 quilo, saídas de vídeo e USB e bateria que dura mais de 9 horas, o Celio Redfly tem toda a pinta de um ótimo notebook. Mas ele não tem coração. Ou melhor, o apetrecho só funciona se for ligado a um smartphone. Lançado em setembro por US$ 399, ele ainda é um pouco caro, mas a boa recepção da crítica e as vendas mostram que há espaço para aparelhos que amplificam a experiência dos celulares mais modernos.