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A nova fotografia

Saem os talentosos, entram os esforçados

Ana Luiza Daltro e Larissa Santana

O mercado de fotografia está sendo tomado pelos amadores (donas de casa, engenheiros, adolescentes, desocupados etc.). É um batalhão que usou duas armas para ascender. A primeira: custo baixo. A crise que abateu o mundo recentemente quebrou as pernas dos mercados editorial e publicitário, maiores clientes dos fotógrafos. Só em 2009, 428 publicações foram fechadas nos EUA. Ou seja: tem menos gente comprando foto. E os clientes que sobraram não estão lá com muito dinheiro. Aí entra a segunda arma: tecnologia. Com o avanço das máquinas digitais, fazer boas imagens ficou mais fácil. Ninguém precisa mais gastar dinheiro com filme – dá pra fazer quantas tentativas for preciso até acertar. Por isso, imprensa e publicidade estão recorrendo às fotos de amadores, mais baratas, quando vasculham bancos de imagens (atrás de cenas de paisagem ou crianças, por exemplo). Algumas chegam a custar até US$ 1.

Graças às fotos de amadores, o número de vendas do banco de imagens da Getty Images (usada pelo mercado editorial do mundo todo) disparou: entre 2005 e 2009, cresceu 15x. Por isso, hoje a agência apresenta imagens do Flickr, comunidade de amantes de foto, em seu portfólio.