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A violência do Cosmo sob telescópios de raios X

Artigo do astrônomo Ronaldo Rogério de Freitas Mourão, em que fala sobre a astronomia de raios X.

Ronaldo Rogério de Freitas Mourão

Astronomia de raios X é a parte da Astrofísica que tem por objetivo estudar as fontes cósmicas de raios X. As primeiras identificações dessas fontes sugeriram que poderiam ser a chave do segredo que envolvia a morte das estrelas, no fim do seu ciclo evolutivo. O problema é que a radiação X é completamente absorvida pela atmosfera e o avanço da nova astronomia só foi possível com detectores instalados a 120 quilômetros a cima da superfície terrestre. Por esse motivo, sua história costuma se dividida em quatro etapas: a dos foguetes, dos satélites artificiais, dos observatórios espaciais e das estações espaciais.

A era dos foguetes começou em 1948 quando o engenheiro norte americano Herbert Friedmann, do Naval Research Laboratory, detectou raios-X provenientes do Sol, com ajuda do V-2 e outros foguetes. O alvo seguinte foi à estrela mais próxima ao sistema solar, próxima Centauri, cujo fluxo luminoso é 40 milhões de vezes inferiores ao do sol. Isso da uma idéia de porque foi preciso esperar até 1962 para que se descobrisse a primeira fonte de raios X não-solar – a Scorpius X-1, na constelação do Escorpião. Identificada com ajuda do foguete americano Aerobee, era 1000 vezes mais intensa que o Sol em raios X. Mais tarde, em 1964, durante um vôo do mesmo foguete, Friedmann conseguiu registrar outra fonte – anteriormente detectada mas não identificada – na constelação do Touro. Mais precisamente, ela se localizava junto à nebulosa de Caranguejo, onde uma super nova teria explodido no ano de 1054.

Com foguetes, conseguiu-se detectar mais de 60 fontes de raios X até 1970. A partir daí, a nova etapa dos satélites começou com os engenheiros Uhuru, americano, e Ariel, britânico. Além de uma observação mais sistemática, estes satélites permitiram localizar melhor as fontes de raios X, pois a observação sucessiva e regular de uma mesma fonte, durante diferentes revoluções do satélite ao redor da Terra, tornou possível confirmar suas emissões e seu posicionamento. Assim procedendo, conseguiu-se elaborar o primeiro mapa do Céu em radiação X. Nesta época, 1061 fontes de raios X foram cartografadas e começou-se a precisar melhor sua natureza. Na segunda metade da década de 70, alguns foguetes permitiram traçar as primeiras cartas de restos de supernovas, como o Véu de Noivas, na constelação do Cisne.

Descobriu-se ainda que as fontes de raios X têm natureza muito variada: estrelas colapsadas em rotação rápida, restos de supernovas, galáxias particulares como as Seyfert, aglomerados de galáxias e finalmente estrelas binárias em que uma das componentes é uma estrela colapsada.
Um avanço enorme surgiu com uma nova geração de satélites. Em 13 de novembro de 1978, entrou em orbita o satélite HEAO-2, também denominado Einstein, que durante sua vida útil realizou mais de 5000 observações. É desta época, também, o satélite europeu Exosat, lançado em 1983. Ele permaneceu operacional ate o fim de abril de 1986 e dispunha de um telescópio – x muito diferente dos dispositivos anteriores. Era constituído por superfícies aproximadamente cônicas onde os raios X incidiram num ângulo pequeno, ou seja, rasante, antes de se concentrarem nos detectores, colocados no oco do espelho. Daí vem a denominação telescópio de incidência rasante. O satélite Exosat trabalhou 1045 dias e fez cerca de 2000 observações.

A exploração foi retomada com o observatório orbital alemão Rosat em 1990. Com dois telescópios de imagens, o Rosat está fornecendo resultados cinco vezes melhores do que os do Einstein. A era dos observatórios espaciais, enfim, teve início com o módulo Kvant, acoplado em 1987 à estação orbital soviética Mir. Ele compreende um complexo de quatro telescópios- X e será capaz de detectar diversas fontes exteriores à Via Láctea. O mesmo se espera de duas das missões mais importantes previstas para este decênio, o AXAF, da NASA, e a XMM, da Agência Espacial Européia.

Eventos do Mês

Constelações

Estão visíveis ás 20 horas, do di 15: Andrômeda, Pégaso, Lagarto, Cisne, Flecha, Delfim, Águia, Capricórnio, Aquário, Peixe Austral, Sagitário, Coroa Austral, Altar, Triângulo Austral, Pavão, Ave do Paraíso, Oitante, Tucano, Grou, Hidra Macho, Peixe Voador, Pintor, Reículo, Erídano, Pomba, Relógio, Lebre, Touro, Perseu.

Meteoros

No dia 8, ocorrerá a máxima atividade dos Táuridas, cuja freqüência é de doze meteoros por hora, visíveis junto ao zênite, por volta de uma hora da madrugada. Eles se irradiam do Touro, seu radiante. Mas em duas direções, uma ao norte e outra mais ao sul. No dia 17, será a vez dos Leônidas, com radiante na constelação do Leão. Sua taxa horária tem sido muito variável e estará visível do lado leste às 4 horas da madrugada. É conveniente procurar os meteoros longes das luzes da cidade e quando a lua não estiver visível.

Fases da lua

Lua Nova, dia 6, as 8h11m; quarto crescente, dia 14, às 19h56min. A luz cinzenta da Lua poderá ser observada entre os dias 7 e 9.

Planetas

Mercúrio: após sua conjunção com o sol, em 3 de outubro, observá-lo ao anoitecer, após o por do sol (magnitude -0,2. A estrela mais brilhante, Sirius tem magnitude, menor o brilho). No dia 18 atingira o maximo afastamento do Sol. Visível todo o mês, embora na ultima semana fique ofuscado por já esta muito próximo do sol. O encontro completo, isto é, sua conjunção inferior, ocorrerá no mês seguinte, dezembro, no dia 8.

Vênus: visível como astro matutino, entre virgem e balança, antes do nascer do sol (magnitude – 4,0).

Marte: quase invisível por estar muito perto do sol. Atingira sua conjunção com o sol no dia 8.

Júpiter: visível como astro matutino junto ao Leão (magnitude – 1,5).

Saturno: visível em Capricórnio (magnitude + 0,8). Será ainda uma das atrações do mês.

Noturno: visível com luneta em Sagitário (magnitude + 7,8).

Iniciantes

Para quem esta começando a observar o céu, uma das melhores referencias para localizar os planetas é a Lua. Estarão ao sul da lua Júpiter (nos 1.º e 29), Venus (no dia 2), Mercúrio (no dia 6) e Netuno (no dia 11). Ao norte da Lua, estarão Urano (no dia 11) e Saturno (no dia 12).