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Animais de guerra – as novas armas do exército americano

Novas armas do exército americano imitam o visual e o comportamento de bichos - para ir aonde nenhum robô jamais esteve

Texto Igor Zolnerkevic

Toda guerra é desumana; mas as batalhas do futuro serão animalescas. Lagostas de silício vasculharão o mar, robôs quadrúpedes carregarão equipamento e munição e um enxame de moscas digitais levantará vôo para espionar as tropas inimigas. Parece coisa de filme, mas já é realidade: o Pentágono está investindo dezenas de milhões de dólares para desenvolver robôs inspirados em animais. E os primeiros acabam de nascer (veja ao lado).

Mas por que imitar o formato dos bichos? Simples: copiando o que a natureza levou milhões de anos para aperfeiçoar, será possível criar máquinas de guerra capazes de atuar em qualquer situação – coisa que os robôs de infantaria que já estão atuando no Exército americano nem sonham em fazer (como eles andam sobre rodinhas, sua mobilidade é muito limitada). Além de terem mecanismos que copiam asas, patas e músculos, os novos robôs pegam emprestados conceitos do cérebro animal. “Antigamente, todo o comportamento do robô era programado. Mas isso não funciona no mundo real, fora do laboratório”, conta o roboticista Alexandre Simões, da Unesp. Por isso, os novos bichos de guerra vêm ao mundo burros, com o software incompleto, e passam por uma espécie de treinamento para adquirir as habilidades necessárias ao combate.

No futuro, eles poderão ganhar outras tarefas, como ajudar em resgates, monitorar o ambiente e até estudar animais de verdade – um robô-inseto, por exemplo, poderia se infiltrar em um formigueiro. Um dia, quem sabe, possam até sair da batalha para virar animais de estimação… Vai um jumento aí?

1. BURRO DE CARGA

Deve entrar em ação até o final do ano, quando embarcará para servir como ajudante na Guerra do Iraque. Sobe ladeiras de até 35 graus, carrega 154 kg e tem um sistema que garante o equilíbrio: mesmo se levar empurrões e pontapés, continua de pé.

2. PEQUENA E ENXERIDA

Incrivelmente leve (0,06 g) e pequena (3 cm), será usada para fazer espionagem. Suas asas se movem em 3 direções, como as de uma mosca de verdade. Mas ela ainda não consegue voar livremente, pois depende de uma bateria externa.

3. AMIGO OU INIMIGO?

Ele tem 30 cm de comprimento e pesa 2,2 kg, o mesmo que um cachorro pequeno. No futuro, poderá fazer reconhecimento e levar água a soldados feridos – ou até funcionar como uma espécie de cão-bomba.