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Arrancaram uma lasca da Lua

O pedregulho, visto apenas este ano, segue bem de perto os giros da Terra em volta do Sol.

Thereza Venturoli

Astrônomos do Novo México, nos Estados Unidos, acharam um miniplaneta – uma rocha de, no máximo, 50 metros de diâmetro que gira em torno do Sol. Curioso é que o 1999 CG9, o nome dado ao pedrão, é um pedaço da Lua. Imagine que um asteróide tenha colidido com o satélite, no passado. Nesse caso, os fragmentos arrancados pelo choque voariam para o espaço, mas tenderiam a ficar por perto, passando a acompanhar a Terra e sua companheira pelo espaço. É exatamente o que se observa no CG9. Ele está apenas 9 milhões de quilômetros mais longe do Sol do que o nosso planeta e seu satélite. Para completar uma volta, leva só 32 dias mais do que eles (que demoram um ano). Portanto, o pedregulho só pode ter saído daqui da nossa vizinhança. A própria Terra poderia ter sido sua origem, mas a Lua é um candidato mais provável porque tem uma gravidade mais fraca – apenas um sexto da força da Terra. Lá, tudo fica seis vezes mais leve do que aqui. Assim, é mais plausível conceber que um meteoro, alguns milhões de anos atrás, andou tirando uma lasca das poeirentas rochas lunares. A pancada nem precisaria ser muito forte para arrancar um naco de 50 metros e jogá-lo para fora da influência gravitacional do satélite. A rocha voadora só não foi mais longe porque o Sol, esse, sim, tem uma força de atração medonha: 4 000 vezes maior que a da Terra. Ela manteve o miniplaneta girando ao seu redor.

A fraca força lunar

Veja como os astrônomos calculam que uma pedrona escapou da superfície da Lua.

1. Se um meteoro bate na superfície lunar, arranca grandes blocos de rocha.

2. Subindo a grande velocidade, um desses blocos escapou da gravidade lunar…

3. …e viajou 9 milhões de quilômetros até ser contido pela gravidade do Sol.

4. Instalado na nova órbita, o pedregulho dá uma volta completa no Sol em 1 ano e 32 dias.