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Breve visita a um astro fujão

No mês que vem, uma espaçonave parte para a missão inédita de trazer lascas do cometa Wild 2 para a Terra.

Thereza Venturoli

É sempre assim: os cometas vêm voando lá das fronteiras do Sistema Solar, fazem uma curva fechada em torno do Sol e voltam a desaparecer no espaço distante. Assim fugidios, é um desafio estudá-los daqui da Terra. O jeito é mandar sondas espaciais ao seu encontro. Foi essa a missão da Giotto, da Agência Espacial Européia, que deu uma espiada de perto no Halley, em 1986, e enviou as informações para cá por rádio. Agora, em fevereiro, é a vez de a Stardust, da Nasa, sair para estudar outro cometa, o Wild 2. Mais ousada do que a Giotto, a Stardust trará amostras de microgrãos que a energia do Sol arranca do astro, enquanto ele se aproxima, formando uma cabeleira de poeira e gases a sua volta. A nave chegará perto do Wild 2 em 2004 e terá apenas algumas horas para capturar parte do material que o acompanha. Espera-se que algumas partículas grudem numa gelatina chamada aerogel, montada no casco do aparelho. Em seguida, a sonda fará uma mudança de rota radical para voltar ao lar. Ela deve mergulhar na atmosfera terrestre numa terça-feira, 17 de janeiro de 2006, às 6h45 (horário de Brasília). Sua carga ajudará a desvendar a composição exata da matéria-prima com a qual foram criados os corpos do Sistema Solar. É fácil ver por quê: ao contrário dos planetas, que sofrem mudanças climáticas e geológicas ao longo da história, os cometas permanecem iguaizinhos ao que eram no início de tudo.

Peneira superveloz

A nave Stardust vai cruzar um mar de resíduos.

1. Como todos os cometas, o Wild 2 é cercado por uma nuvem de poeira e gás que a energia do Sol arranca do seu corpo.

2. A sonda vai chegar a 150 quilômetros do núcleo do astro e cruzar, a 22 000 quilômetros por hora, a sujeira que o acompanha.

3. Algumas partículas devem grudar nesta peneira gelatinosa. Elas serão trazidas pela Stardust para serem analisadas.

4. O Wild 2 passou pela primeira vez perto da Terra em 1974. De lá para cá, ele se aproxima de seis em seis anos.