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Carro Híbrido – Para ligar na tomada

Nova geração de híbridos só precisará de combustível em longas distâncias; enquanto isso, baterias meia-boca e falta de postos de recarga ainda deixam os elétricos fora da estrada

Por Da Redação Atualizado em 31 out 2016, 18h47 - Publicado em 16 abr 2011, 22h00

Maurício Horta

Desde seu lançamento em 1997, o híbrido Toyota Prius já vendeu 1,8 milhão de unidades – a maioria nos últimos 3 anos. E a razão não é só ecológica: o preço do petróleo bateu um recorde de US$ 147 o barril em julho de 2008. De repente fez sentido pagar bem mais por um carro que roda mais de 20 quilômetros por litro. O petróleo pode ter caído novamente, mas o sucesso do híbrido ficou: nos EUA o Prius é fetiche, e, no Japão, o carro mais vendido.

Até aí tudo parece muito bonito. Só que, na prática, os híbridos continuam queimando gasolina, ainda que de forma mais eficiente. Isso vai mudar no fim deste ano, quando for lançado o Chevrolet Volt. Ele será o primeiro híbrido plug-in (carregado na tomada) produzido em escala comercial. Em 2012, a GM estima fazer 45 mil dele.

Na prática, o Volt é um carro elétrico: se você carregar na tomada sua bateria de íon de lítio, ele pode rodar até 65 quilômetros completamente sem gasolina. Para a maioria dos motoristas, dá para ir de casa ao trabalho, voltar e ainda fazer uma comprinha. Depois, é só deixá-lo na garagem e programar para carregar a bateria numa tomada de 240 volts por 4 horas.

Mas, se você pegar a estrada para viajar ou se esquecer de carregar o carro, ele não vai deixá-lo na mão. Quando a bateria ficar fraca, seu motor 1.4 a combustão interna alimentará um gerador elétrico e, com um tanque de gasolina, dará para dirigir por mais 300 quilômetros. Ou seja, pode dormir fora de casa sem se encanar com a bateria.

Conectadão

O aplicativo OneStar permite gerenciar do seu smartphone a recarga da bateria do Volt, ligar o ar-condicionado ou aquecedor e dar a partida de onde quer que você esteja. E ele manda ainda SMS avisando se você tiver esquecido de plugar o carro, se alguém bater no carro ou se for roubado.

Qual a diferença de dirigir um plug-in?

1. Um “freio regenerativo” transforma o motor elétrico em gerador ao tirar o pé do acelerador. Isso reaproveita energia, mas também dá uma desacelerada brusca.

2. Motores elétricos produzem torque imediatamente – o que joga o motorista contra o banco ao acelerar.

3. O ruído do motor é nulo quando roda só na bateria. E isso é um baita problema: de um lado, o motorista perde a noção da velocidade; de outro, pedestres e ciclistas não ouvem o carro se aproximar. Montadoras já testam ruídos para evitar acidentes.

A evolução dos carros híbridos

1899
Ferdinand Porsche cria o primeiro carro híbrido do mundo.

1900
Fábricas americanas produzem 1 681 carros a vapor, 1 575 elétricos e apenas 936 a gasolina.

1913
Mas, com o Ford T produzido em linha, os motores a gasolina se popularizam e carros híbridos e elétricos perdem competitividade.

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1970´s
Barril de petróleo sobe de US$ 19 para US$ 99 (valores atualizados), e governos investem em programas de híbridos e elétricos.

1980´s
Petróleo cai para a casa dos US$ 30 e entram na moda os beberrões – como o Hummer, que fazia apenas 4 km/l.

1990´s
Preocupação com mudanças climáticas faz montadoras investir em carros-conceito híbridos e elétricos.

1997
Toyota lança o Prius, o primeiro carro híbrido produzido em massa. Demorou quase uma década para encantar os consumidores por causa do preço, mas hoje já tem 1,8 milhão de unidades vendidas, e está em sua 3ª geração. Desde 2009 é o carro mais vendido no Japão.

2003
Petróleo sobe sem parar de 2003 até 2008, impulsionando a venda dos híbridos, mais econômicos.

2010
Chevrolet lança o Volt, o primeiro híbrido plug-in.

2012
Toyota, Ford, Honda e Volvo também lançam seus híbridos plug-in; elétricos urbanos pipocam nas concessionárias.

E o hidrogênio?

Por enquanto ele continuará a ser o combustível do eterno futuro: seus custos de produção, transporte, armazenamento e distribuição continuam altos demais.

Vale a pena?
Mesmo depois de abater um subsídio de US$ 7 500 dado pelo governo americano, o Volt custa US$ 33 500 nos EUA. Ou seja, tem o espaço e o desempenho de um carro de US$ 15 mil, mas o preço de um Mercedes.

VS – Chevrolet Volt 2011
Velocidade – 160 km/h
Autonomia – 548 km (64 km bateria + 480 km tanque)
Motor – 1,4 l gasolina 111 kW elétrico
Transmissão – Não tem câmbio
Potência – 150 cv (111 kW)
Aceleração – 0 a 100 km/h em 9 s
Capacidade – 4 pessoas
Porta-malas – 301 l

VS – Mercedes C300 Sport Sedan
Velocidade – 210 km/h
Autonomia – 416 km cidade 600 km estrada
Motor – V-6 3,0 l gasolina
Transmissão – Mecânica 6 velocidades
Potência – 228 cv
Aceleração – 0 a 100 km/h em 7,1 s
Capacidade – 5 pessoas
Porta-malas – 351 l

Tipos de híbrido

Paralelo
O carro é impulsionado ainda pelo motor de combustão interna, mas um motor elétrico dá um empurrãozinho nas acelerações e vira gerador quando o carro freia. Assim, aproveita a energia que ia ser gasta à toa. É o caso do Honda Insight, no mercado desde 1999.

Em série
É praticamente um carro elétrico, pois roda exclusivamente com o motor elétrico. O motor de combustão interna serve só para gerar essa energia. O passo à frente do Volt é que a eletricidade também vem da tomada, o que dispensa a gasolina em curtas distâncias.

Em série-paralelo
É como funciona hoje o Prius, que em 2012 terá uma versão plug-in. Ele aproveita o motor elétrico e o de combustão no que cada um tem de melhor: o torque imediato e a eficiência de um, e a potência para atingir altas velocidades do outro.

Elétrico
Roda só com motor elétrico. Soa bem, mas não vai muito além da cidade por causa da baixa autonomia das baterias e da falta de infraestrutura para recarga nas ruas e estradas. Ainda assim, a produção em escala comercial já está agendada: em dezembro será o Nissan Leaf, nos EUA, por US$ 26 220, com subsídios do governo. É mais barato que o Volt, mas só dá para rodar 160 km. Depois, virão o Smart ED, em 2012, e o Mini E, sem previsão de lançamento.

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