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Estacionamento de satélites

Marcelo Bortoloti

O espaço celeste está se tornando um terreno valorizado. Principalmente a chamada órbita geoestacionária, que corre acima da linha do Equador, onde pairam os satélites de comunicação. Para estacionar um satélite ali, é preciso desembolsar um dinheiro considerável. No final deste mês, a empresa brasileira Hispamar vai mandar o satélite Amazonas para essa região. Ele foi construído nos Estados Unidos, pesa cerca de 4,6 toneladas e será lançado de uma base no Cazaquistão. Para deixar a máquina lá em cima por 15 anos, a empresa pagou 27 milhões de reais.

Garantir espaço nessa órbita é cada vez mais estratégico. Para um satélite cobrir o território brasileiro, por exemplo, ele precisa ficar em uma posição de onde dê para “enxergar” todo o país. Só que essas posições acima do Equador também são interessantes para outros países do mesmo continente. “É uma região de conflito e já chegamos a ter disputas com a Argentina. Nada que não fosse resolvido com negociações técnicas”, diz Sebastião do Nascimento, da Anatel. A faixa é regulada pela International Telecommunication Union (ITU), da ONU.

A ITU começou a cobrar caro pelas notificações para evitar o chamado “paper satellite”, um pedido de posição orbital sem intenção de ocupá-la, como se fosse uma reserva. Um exemplo aconteceu com o reino de Tonga, uma pequena ilha do Pacífico. O país solicitava várias posições estratégicas em cima de outros continentes e depois as revendia. Com o aumento na procura de vagas lá em cima, o perigo é que o céu se torne um território à venda, palco de monopólios e especulações financeiras.

Latifúndio cósmico

A disputa pelo Equador

DIVISÃO DE ESPAÇO

Dois satélites podem ocupar uma posição similar, desde que não operem na mesma freqüência. Eles podem ficar em linha, como se fossem carros num estacionamento

CONTROLE REMOTO

Quem controla os satélites na Terra são bases espaciais como a de Guaratiba, no Rio de Janeiro. Se um satélite precisa mudar de inclinação, ele é dirigido daqui

O QUE É A ÓRBITA

A órbita geoestacionária é um anel que circula a terra na linha do Equador, a uma altura de 36 mil km. Os satélites de comunicação estacionam ali porque precisam acompanhar a rotação do planeta e, nessa faixa, o esforço para mantê-los é menor. Hoje, há 241 satélites na órbita

ATÉ A MORTE

O tempo de vida útil de um satélite é de 15 anos. Quando o combustível está prestes a acabar, a base aciona um propulsor que o lança para fora de órbita e ele acaba como lixo espacial

AZUL OU AMARELO

Os satélites azuis são dedicados aos sinais de rádio e TV. Amarelos são para transmissão de dados, internet e TVs pagas. O Brasil tem seis satélites na órbita, mas o céu acima de nosso país abriga outros 35, sendo 20 americanos