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Inventaram um celular que funciona sem bateria

Criado na Universidade de Washington, o modelo capta energia de ondas de rádio ou da luz ambiente

Por Guilherme Eler Atualizado em 6 jul 2017, 16h57 - Publicado em 6 jul 2017, 16h46

Cientistas norte-americanos criaram um celular que promete eliminar a necessidade de sempre ter uma tomada e um carregador por perto. O modelo, que não precisa de bateria, capta a energia necessária para seu funcionamento dos arredores – a partir de fontes como ondas de rádio ou a luz do ambiente. Essa quantidade de energia, se comparada aos modelos atuais, é muito pequena, mas suficiente para alimentar o aparelho. Para realizar chamadas de voz à distância com consumo mínimo, o segredo está na forma como o dispositivo trata o sinal.

Quando fazemos uma ligação por telefone, nossa voz é captada em um formato analógico. Para que nosso aparelho entenda a mensagem e ela chegue até quem estamos conversando, essa linguagem tem de se transformar em digital. A mudança de formato é que permite às torres de telefonia captarem o sinal que você está enviando e repassá-lo a quem está do outro lado da linha.

Ao invés de realizar esse trabalho de conversão, o novo celular mantém o sinal analógico durante todo o processo. Registrando as vibrações captadas pelo microfone durante a ligação, o aparelho encaminha o sinal para uma central de transmissão criada pelos cientistas. Isso é possível por conta de uma técnica chamada backscatter, que reflete as ondas de rádio emitidas pela central. Funcionando via Skype, a novidade permite que você se comunique com dispositivos comuns, além de ligar para qualquer número com um teclado touch screen.

  • Sua central de processamento também conta com uma antena capaz de transformar ondas de rádio em energia útil, que abastecerá o dispositivo durante a ligação. Além das ondas radiofônicas, a antena também performou bem utilizando a luz ambiente – captada com a ajuda de uma pequena célula solar (do tamanho de um grão de arroz). A técnica garante que o consumo fique na casa dos 3.5 microwatts – bem menor do que os 800 miliwatts, em média, que os celulares convencionais costumam gastar para desempenhar a mesma função.

    Por ainda não funcionar com torres de telefonia convencionais, é preciso manter-se próximo da antena especial. A distância de operação (10m com as ondas de rádio e 15m usando luz) de fato ainda é curta, principalmente pensando na mobilidade que os celulares costumam oferecer. No entanto, os pesquisadores acreditam que a antena possa, no futuro, vir acoplada de fábrica em roteadores de wi-fi, ou mesmo às torres de transmissão convencionais.

    O celular sem bateria pode ser visto em ação neste vídeo, disponibilizado pelos pesquisadores.

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