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Lágrimas celestiais sobre sua cabeça

Os meteoros Perseídeos prometem, este mês, um show de fogos de artifício no céu. Mas nenhuma partícula deve atingir a superfície terrestre.

Thereza Venturoli

Madrugadores, preparem-se para ver um dos maiores espetáculos cósmicos do ano. A chuva de meteoros Perseídeos vai iluminar o céu durante os primeiros vinte dias deste mês. Os bólidos, que estão riscando o céu desde o final de julho, têm seu ponto alto entre os dias 11 e 13. Mas, mesmo depois dessa data, você pode aproveitar o show. Se mantiver os olhos colados no céu, principalmente na região perto da estrela Capela (veja o quadro abaixo), poderá ver até cinqüenta estrelas cadentes por hora. Não se deixe enganar pelo brilho. A maioria são ciscos menores que um grão de areia – tão pequenos que não atingem a superfície. Eles se chocam com a camada mais alta da atmosfera a cerca de 100 000 quilômetros por hora. E, devido ao atrito com o ar, queimam-se antes de chegar ao solo. Os Perseídeos são restos do cometa Swift-Tuttle, que se aproxima do Sol a cada 135 anos. A última vez que ele passou por aqui foi em 1992. Quando essa bola de gelo sujo é atingida pelas partículas lançadas pelo Sol, o chamado vento solar, ela vai soltando lascas que formam um rastro flutuante no espaço. A cada vez que a Terra cruza esses restos de cauda, é bombardeada por eles. Os Perseídeos são a chuva de meteoros mais antiga que se conhece. No ano 36 da era cristã, os chineses já registravam o acontecimento. Mas foi só em 1866 que o astrônomo italiano Giovanni Schiaparelli associou os bólidos à passagem do Swift-Tuttle. Ah, em tempo: os Perseídeos são chamados tradicionalmente de Lágrimas de São Lourenço. Conta-se que uma das chuvas ocorreu justamente na noite da morte desse santo romano, no dia 10 de agosto de 258.