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Meu livro eletrônico

Testamos, usamos e abusamos do kindle, o livro eletrônico que quer matar o papel. Confira o nosso veredicto

Texto Denis Russo Burgierman

Você liga o livro. Partículas de tinta se movem sozinhas no papel eletrônico e formam uma página impressa, cheia de texto. Você aperta um botão para virar a página. As partículas de tinta se rearranjam, formando outras letras. É o livro eletrônico – aquele mesmo que vem sendo prometido há décadas, mas que nunca vira realidade. Pois então, virou. E eu tenho um.

Meu Kindle, da Amazon, chegou pelo correio à minha casa aqui na Califórnia. Só dá para ter Kindle nos EUA – a conexão, que usa a rede celular, não funciona em outros países. Eu moro no Vale do Silício, coração tecnológico do planeta – aqui todo mundo tem laptops invocados e iPhones. Pois então, chegou a minha vingança: só eu tenho um Kindle. Lançado no final de 2007, ele se esgotou em dias. Poucos conseguiram comprar – eu fui um dos primeiros.

Saí à rua com meu Kindle para me exibir. Decepção. Ninguém notou, de tão discreto que é o aparelhinho – parece uma agenda quando está com esta capa de couro aqui fechada. O que tem um lado bom: quando lançarem no Brasil, vai dar para ler o Kindle no ônibus sem medo.

Testei o bichinho por um mês. Ele é bem legal. A tela não tem reflexo e não emite luz, o que não deixa os olhos cansar (por outro lado, continuamos precisando de abajur para ler à noite). Mas as limitações são muitas. A quantidade de títulos disponíveis ainda é pequena (a Amazon tem 100 mil títulos para Kindle, contra 20 milhões em papel), o design dos livros é pobre, com todas as imagens em preto e branco. A navegação pelo texto é precária. E o preço – US$ 400 – é bem salgado (já os livros custam um pouquinho mais barato que na livraria).

A Amazon conseguiu seu maior objetivo: um livro eletrônico que parece mesmo impresso em papel. Mas é como se fosse uma impressão ruim num papel vagabundo – tipo a daqueles livros de bolso feitos em papel-jornal – acinzentado e poroso. Do jeito que está, o Kindle ainda precisa comer muito arroz com feijão para fazer com os livros o que o iPod fez com os cds.

Aliás, tem uns blogueiros por aí especulando, sem nenhuma prova, que livro eletrônico vai ser a próxima aventura do Steve Jobs, da Apple. Aí, sim, eu quero ver.

Biblioteca na mochila

O bichinho carrega 200 livros e é fácil de usar. Mas os botões pequenos e a falta de touch screen enchem a paciência

1. Soltinho

O encaixe do Kindle na capa é meio frouxo. Toda vez que leio no banheiro fico com medo de que ele escorregue e caia na privada.

2. Vira a página

Estes botões viram a página. Bem bolado: bater neles a cada página é natural. Por outro lado, aqueles botõezinhos minúsculos lá embaixo são um saco.

3. Ligação direta

O Kindle usa a rede celular para ficar online em qualquer lugar – funcionou bem até no metrô (o livro acabou de baixar assim que o trem parou na estação). Ou seja, você não precisa de um computador para gerenciar sua biblioteca digital.

4. Doce lar

Apertando este botão, você vai para a home, sua biblioteca, onde todos os seus livros ficam organizadinhos em ordem alfabética ou cronológica. E você pode carregar 200 livros na mochila (ou muito mais se comprar um cartão de memória).

5. Procurando

Aqui está o mais legal do Kindle. Com este botão, você pode procurar qualquer palavra em qualquer dos seus livros. Também tem como buscar algum na livraria virtual. E comprar livro no Kindle é uma maravilha: leva menos de um minuto para baixar (só é ruim para sua conta bancária).

6. Vista cansada

Apertando este botão, você pode escolher entre 5 tamanhos de letra. Este aqui é o menor. Os maiores são bem fáceis de enxergar, mas dão vontade de ter uma tela maior, onde caiba mais texto.

7. Rabiscando

Este símbolo significa que eu fiz uma anotação no livro. Podia ser melhor – seria legal se desse para enxergar a anotação na mesma página do texto, sem ter que apertar botões.

8. Visual retrô

A barra vertical serve para navegar pelas linhas de texto. Ela é bonita, com a aparência metálica de um termômetro antigo. Mas seria muito mais prático ter uma touch screen.