O futuro da música, num game
O sucessor do jogo Guitar Hero vai salvar a indústria da música, apostam executivos
Texto Alexandre Versignassi
Ouvir música é legal. Tocar é muito melhor. É com essa idéia na cabeça que a Viacom, uma gigante do entretenimento, quer recuperar o terreno perdido pela indústria da música para os downloads ilegais. O raciocínio é o seguinte: as pessoas têm cada vez menos disposição de pagar por um cd ou por um download. O Radiohead, por exemplo, acabou de lançar seu novo disco na rede cobrando 1 centavo de libra por faixa. Mas essas mesmas pessoas pagariam bem mais para tocar as músicas do Radiohead, imaginam. Como ganhar dinheiro com isso? Não, eles não pretendem oferecer cursos de guitarra a toda a população mundial. A idéia é pegar carona num dos games que mais fazem sucesso hoje: o Guitar Hero. Ele funciona de um jeito meio Matrix. No filme, os sujeitos não precisavam aprender nada. Era só fazer o download de alguma habilidade e pronto: eles já saíam pilotando helicóptero, lutando kung fu e tudo o mais, certo? Pois então. O Guitar Hero faz mais ou menos isso: transforma qualquer analfabeto musical num virtuose. É só o jogador apertar os botões do controle na ordem que aparece na tela, que a música vai saindo. O joystick é em forma de guitarra, para dar mais realismo. E quem joga adora falar que o prazer é o mesmo de tocar uma guitarra de verdade. Tanto que o Guitar Hero vendeu 1,5 milhão de cópias logo na estréia, em 2005. A Viacom, dona da MTV americana, viu que tinha alguma coisa aí. Comprou a empresa que faz o game, a Harmonix, por US$ 175 milhões. E lança agora, em novembro, o Rock Band, uma versão extendida do Guitar Hero, com controles também para bateria, baixo e microfone, além da velha guitarra. O jogo virá com cerca de 40 músicas, como o antecessor. Mas a Viacom/MTV tem condições de pôr milhares delas à disposição para downloads pagos. E voltar a ganhar dinheiro como antes. Como disse Van Toffler, presidente da MTV, à revista americana Wired: “As pessoas relutam em pagar US$ 20 por um cd. Mas vão ficar felizes de dar uns trocados por uma música com a qual elas interagem”.