Clique e Assine a partir de R$ 8,90/mês

O mundo na tela da TV

Satélites levam som e imagem a qualquer lugar do planeta, em tempo real.

Por Da Redação Atualizado em 31 out 2016, 18h52 - Publicado em 31 out 1999, 22h00

A primeira imagem de televisão transmitida no mundo foi uma decepcionante linha reta que cortava na horizontal um protótipo de tubo de televisão. Mas seu inventor ficou eufórico, principalmente quando a linha fez uma rotação de 90 graus, passando para a vertical. Tudo isso aconteceu num sótão de uma casa em San Francisco, nos Estados Unidos, em 7 de setembro de 1927. É por causa dessa façanha que o americano Philo Farnsworth (1906-1971), um ex-estudante de Engenharia que abandonou os estudos por falta de dinheiro, é chamado de pai da televisão.

Mas ganhar essa paternidade não foi fácil. As idéias de Farnsworth acabaram caindo nas mãos de Vladimir Zworykin, um engenheiro russo radicado nos Estados Unidos que, para azar de Farnsworth, era sócio de um poderoso empresário da área de comunicações. Zworykin e David Sarnoff, da empresa RCA, depois de uma maciça campanha publicitária, passaram a ser conhecidos como os inventores da televisão. Farnsworth foi à Justiça reivindicar a posse dos direitos autorais sobre a invenção, numa batalha que se estendeu por muitos anos. Em 1939, na Feira Mundial de Nova York, o presidente americano Franklin Roosevelt falou na primeira transmissão televisiva para o público. Do outro lado, claro, só havia algumas poucas centenas de aparelhos. Mas em menos de uma década a invenção já se tornou popular. De 1949 a 1951, o número de aparelhos nos Estados Unidos passou de 1 milhão para 10 milhões. O pioneirismo de Farnsworth foi reconhecido, mas ele não chegou a desfrutar dos direitos autorais. Tornou-se alcoólatra e depressivo. Certa vez, indagado sobre o que havia inventado, respondeu: “Um monstro na frente do qual as pessoas irão desperdiçar sua vida”. A biografia dele, sem dúvida, daria uma novela de televisão.

O avô dos telefones celulares foi o comunicador walkie-talkie, utilizado pelos combatentes na II Guerra Mundial. Em 1946, a empresa americana AT&T pôs para funcionar o primeiro telefone que usava ondas de rádio para transmitir as ligações. Um dos problemas da nova tecnologia era o baixo alcance dos aparelhos. Foi daí que surgiu a idéia de se construírem várias células (daí o nome celular) para retransmitir as ligações à medida que o usuário se deslocasse. Em 1983, foi inaugurado nos Estados Unidos o primeiro sistema comercial de telefonia celular. Hoje, o número estimado de usuários está na casa dos 500 milhões no mundo todo.

Navegando pelas ondas do rádio

Em 1901, o engenheiro elétrico italiano Guglielmo Marconi (1874-1937) fez a primeira transmissão por ondas de rádio, enviando essa radiação eletromagnética da Inglaterra para os Estados Unidos. Esse feito pioneiro iria se tornar, duas décadas mas tarde, o alicerce para o primeiro sistema de comunicação de massa no planeta: o rádio. A façanha lhe valeu um Prêmio Nobel, em 1909. Em 1922, o rádio começou a se popularizar, com o surgimento dos primeiros modelos domésticos. Nos Estados Unidos, as estações passaram de oito para seiscentas, em poucos anos. Outros países, como a então União Soviética, a França e a Inglaterra, também aderiram à era do rádio. Depois da invenção do transistor, na década de 50, o preço desses aparelhos, que até então funcionavam à base de válvulas, começou a despencar, diminuindo junto com o seu tamanho.

Olhos indiscretos na órbita terrestre

Quando a então União Soviética anunciou que o satélite Sputnik estava em órbita, o governo americano entrou em polvorosa. Afinal, o comunismo chegara primeiro ao espaço. Isso fez com que os Estados Unidos lançassem um programa gigantesco de pesquisa. Mesmo assim, só conseguiram igualar os soviéticos oito anos mais tarde, quando, em 1965, colocaram em órbita seu primeiro satélite de comunicações, o Intelsat 1. Além das comunicações (TV, telefonia, Internet, transmissão instantânea de dados bancários que determinam a economia mundial), hoje satélites são usados para fazer mapas precisos, prever o tempo, identificar recursos naturais em terra e nos oceanos, localizar pessoas (com o Sistema de Posicionamento Global), fazer espionagem, auxiliar ações militares e policiais no combate às drogas. Na ilustração, o satélite de comunicações americano ACTS/TO.

Continua após a publicidade
Publicidade