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O que era suspeita vira realidade

Previstos pela teoria desde o início do século, os buracos negros são hoje personagens reais do Universo.

Por Da Redação Atualizado em 31 out 2016, 18h32 - Publicado em 30 jun 1997, 22h00

João Steiner

Buracos negros são objetos cósmicos extremamente compactos. Sua gravidade é tão grande que nada – nem mesmo a luz – pode escapar deles. Daí o nome. Apesar de terem sido previstos pela Teoria da Relatividade Geral de Einstein, permaneceram como simples ficção por décadas. Há apenas trinta anos, no início da década de 70, começaram a surgir evidências de que esses objetos exóticos poderiam existir no Universo real sob duas formas: em sistemas de estrelas duplas e no centro das galáxias.

O que diferencia os dois grupos é a sua massa. No caso das estrelas duplas – em que uma delas seria de fato um buraco negro –, a massa deste último seria dez vezes a do Sol. Na outra categoria, a dos buracos negros galácticos, a massa ficaria entre 1 milhão e 1 bilhão de vezes a solar.

Nos últimos anos começaram a aparecer indícios mais concretos de que os buracos negros maiores, de fato, fazem parte da população cósmica. Como eles não emitem luz, não podem ser observados diretamente. Por isso, foi preciso, antes de mais nada, encontrar alguma forma de “impressão digital” que os identificasse com clareza. Há pouco tempo ficou provado que esse tipo de RG cósmico são imensos discos de gás avistados no coração das galáxias. Muito brilhante, a luz desses discos tem características próprias, que só podem ser explicadas se o gás estiver num movimento em espiral, mergulhando num buraco negro.

A descoberta surpreendeu a todos e vem sendo confirmada por várias pesquisas mais recentes. Diversas galáxias próximas têm uma grande massa no seu centro, sinal de que existem objetos compactos por lá. E o Telescópio Espacial Hubble fez imagens espetaculares, que mostram gás em movimento espiralado dentro de duas galáxias, conhecidas pelas siglas M87 e NGC 4861.

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E a nossa galáxia? Ela também possui no centro um objeto que, ao que tudo indica, é um buraco negro com massa 3 milhões de vezes a do Sol. Para alguns, pode parecer que essa constatação representa perigo para o nosso Sistema Solar. Será que sua imensa força gravitacional poderia nos arrastar? A resposta é não. Daqui até o centro da Galáxia a distância é de uns 30 000 anos-luz. Um simples cálculo mostra que o efeito de sua gravidade sobre o Sistema Solar é desprezível.

O mais divertido é que nos próximos anos novas tecnologias vão nos deixar ver daqui mesmo, com toda a segurança, detalhes cada vez mais reveladores desses estranhos mas reais personagens do Cosmo.

João Steiner é professor de Astrofísica do Instituto Astronômico e Geofísico da USP e vice-presidente do Projeto Gemini

Redemoinho energético

Em 1994, o Telescópio Hubble fotografou os sinais do buraco negro no coração da galáxia M87.

O disco de gás luminoso rodopia em volta do buraco negro, que é invisível porque não deixa a luz escapar.

Este jato de energia, de 3 000 anos-luz de extensão, é produzido pelo mergulho dos gases no buraco negro no centro da galáxia.

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