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Pés de espinafre enviam e-mails ao detectar minerais explosivos

Estudo feito por pesquisadores do MIT ainda em 2016 viralizou nas redes sociais nos últimos dias. Entenda como isso é possível.

Por Guilherme Eler Atualizado em 13 fev 2021, 11h45 - Publicado em 12 fev 2021, 20h14

Que as plantas possuem uma inteligência fora do comum, isso quem lê a Super está careca de saber. Elas podem guardar memórias, traçar intrincadas estratégias de guerra e até mesmo fofocar entre si. Toda essa comunicação acontece graças à ação de sinais químicos: pela movimentação organizada de minerais por diferentes partes da planta, é possível controlar uma série de funções.

Aproveitando-se desse mecanismo de comunicação, cientistas já conseguiram fazer plantas imitar comportamentos humanos algo conhecido como nanobiônica vegetal. É o caso desta avenca exposta em um zoológico de Londres, por exemplo, que é craque em fazer selfies. Mas nem tudo é brincadeira. Já é possível aplicar a técnica em tarefas úteis a agricultores como alertar sobre a presença de pragas ou a falta d’água, por exemplo.

Para experimentos desse tipo, basta usar tecnologia para amplificar os sinais químicos que a planta emite naturalmente (mas que são muito fraquinhos) e impulsionar outras reações elétricas mais complexas como o disparo de uma câmera digital ou o envio de um SMS para um telefone celular, por exemplo.

Nos últimos anos, pesquisadores do MIT foram além, e ensinaram a plantas uma atividade ainda mais sofisticada do que fazer retratos de si próprias ou falar de sua própria saúde: monitorar a presença de minerais explosivos – e, de quebra, enviar e-mails para cientistas caso as coisas fujam do controle.

O experimento foi estrelado por pés de espinafre, conforme descrito neste estudo científico publicado na revista Nature Materials. O estudo foi publicado ainda em 2016, mas viralizou após uma reportagem do portal Euronews chamar atenção para a descoberta no início de fevereiro.

  • Mas como, afinal, essa comunicação acontece? Raízes de espinafre modificadas geneticamente com nanosensores, primeiro, detectam a presença de compostos nitroaromáticos em águas subterrâneas como lençóis freáticos ou outros cursos d’água. Essas substâncias são comumente encontradas em explosivos como minas terrestres. Então, ao flagrarem alta presença desses compostos, enviam um sinal químico para o resto da planta.

    Depois das raízes, é a vez das folhas entrarem na jogada. As folhas dessa versão modificada de espinafre possuem estruturas microscópicas chamadas nanotubos de carbono. Até aí, tudo normal. Esses nanotubos, porém, são especiais: foram alterados para brilhar em um verde fluorescente de acordo com a química do solo. Quanto maior for o nível de nitroaromáticos absorvido pelas raízes, mais intensa é a coloração.

    Apesar de invisível aos olhos humanos, esse brilho fluorescente que os espinafres possuem quando detectam químicos pode ser captado por uma câmera infravermelha. É a partir dos dados dessa imagem que a planta envia, finalmente, um e-mail para alertar os cientistas. Quando a imagem indica uma concentração bem maior de nitroaromáticos, o e-mail é disparado.

    “As plantas são químicos muito bons”, disse ao Euronews Michael Strano, pesquisador que liderou o estudo. “Elas têm uma extensa rede de raízes no solo, estão constantemente fazendo amostragem de água subterrânea e têm uma maneira de retroalimentar o transporte dessa água até as folhas. Esta é uma nova maneira de como podemos superar a barreira da comunicação planta/homem.” A ideia é usar a técnica para diferentes aplicações no futuro, como o nível de contaminação do solo, por exemplo. 

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